JBS sob mira: EUA investigam "ameaça" brasileira no setor

Governo Trump escala ofensiva contra frigoríficos brasileiros e denuncia monopólio alimentar em nova crise diplomática.


nfográfico jornalístico composto por três partes: à esquerda, a Secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, discursa em um púlpito do USDA com a bandeira americana ao fundo. No canto superior direito, um gráfico de pizza mostra que o 'Big Four' (JBS, Marfrig, Tyson e Cargill) controla 85% do mercado. No canto inferior direito, bandejas de carne moída em um supermercado com o texto '85% do mercado sob controle: JBS sob mira'.
Sob ordens da Casa Branca, o Departamento de Agricultura (USDA) intensifica fiscalização sobre a JBS e outras gigantes do setor; infográfico mostra que apenas quatro empresas dominam 85% do processamento de carne nos EUA.

Em uma escalada de tensões que atinge o coração do agronegócio mundial, a JBS sob mira das autoridades americanas tornou-se o centro de uma investigação criminal por suspeita de cartel. A ofensiva foi confirmada na última segunda-feira (4), em Washington, pela Secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, e pelo Procurador-Geral interino, Todd Blanche. O governo americano alega que a concentração de mercado exercida por gigantes como a JBS representa uma "ameaça à segurança nacional" e tem impulsionado a inflação dos alimentos para o consumidor final.

A investigação sobre o cartel da carne

A estrutura do mercado de proteína animal está sendo rigorosamente analisada pelo Departamento de Justiça (DOJ). Foi reportado que mais de 3 milhões de documentos já foram revisados pelos promotores para identificar práticas de fixação de preços e compartilhamento ilícito de informações sensíveis. Segundo o governo Trump, as quatro maiores processadoras — incluindo as brasileiras JBS e Marfrig (MBRF) — controlam cerca de 85% da capacidade de abate nos Estados Unidos, o que sufoca a concorrência e prejudica os pecuaristas locais.

A estratégia de "tolerância zero" foi detalhada pela secretária Brooke Rollins, que enquadrou a propriedade estrangeira de frigoríficos como um risco direto à soberania alimentar americana. A investigação criminal ocorre em um momento de fragilidade do rebanho bovino dos EUA, que atingiu em 2026 seu menor nível desde a década de 1950, com apenas 86,2 milhões de cabeças.

Crise diplomática e impactos no agronegócio

O tom agressivo adotado pela administração americana transformou um processo comercial em uma crise diplomática profunda entre Washington e Brasília. As falas de Rollins e Blanche, que vinculam a atuação das empresas brasileiras a um "histórico documentado de corrupção", elevaram o clima de animosidade às vésperas de encontros bilaterais entre os chefes de Estado. A Agroindústria global observa com cautela, temendo que barreiras protecionistas sejam erguidas sob o pretexto de segurança nacional.

Especialistas apontam que a JBS tem sido usada como exemplo pedagógico na nova doutrina de Geopolítica de Trump. Ao atacar o monopólio estrangeiro, o governo busca consolidar apoio entre produtores rurais do "Cinturão Agrícola", que se sentem marginalizados pelo poder de mercado das grandes corporações. O uso de incentivos para delatores (whistleblowers), que podem receber até 30% de multas criminais superiores a US$ 1 milhão, é a ferramenta mais agressiva utilizada até agora para romper o suposto silêncio do setor.

O futuro da carne brasileira nos EUA

O desdobramento desse embate definirá os preços das proteínas nas gôndolas mundiais. Enquanto as empresas negam as acusações e apontam para a alta nos custos operacionais, o governo americano promete "usar todas as ferramentas legais disponíveis" para desmantelar o que chamam de cartel. A expectativa é que um acordo histórico sobre os preços de aves, suínos e perus seja anunciado ainda nesta semana, sinalizando o que pode vir a seguir para o mercado bovino.

A resistência da Economia americana às flutuações de preços depende, segundo a Casa Branca, da desconcentração desse setor. A JBS, que detém cerca de 25% do mercado americano, enfrenta agora seu maior desafio jurídico em solo estrangeiro, sob o olhar atento de investidores e diplomatas que buscam entender até onde irá a retórica nacionalista da atual gestão Política dos Estados Unidos.

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