Governador eleito de Minas e senador irrita militância ao articular com Alcolumbre, solidarizar-se com petista e defender o fim da jornada 6x1
O senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), tornou-se alvo de uma onda de duras críticas e acusações de traição por parte do próprio eleitorado conservador e bolsonarista nas redes sociais nesta semana.
Articulação com Alcolumbre e reação do núcleo duro bolsonarista
A publicação do registro audiovisual no qual Cleitinho Azevedo celebra o agendamento da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) desencadeou uma reação imediata de seguidores nas redes sociais.
Comentários nas páginas oficiais do governador eleito classificaram a reunião como "mudança de lado" e "traição ao eleitorado mineiro".
"O que eu fiz foi pedir para pautar esse projeto pelo qual venho lutando há três anos. Não fiz vídeo elogiando ele ou apoiando ele. O vídeo é, além de institucional, claro. Eu não votei no Davi e sempre fiz campanha contra, mas ele é o presidente. Para que meus projetos sejam aprovados, passa por ele", justificou o senador mineiro.
O parlamentar acrescentou ainda que, na eleição interna para o comando da Mesa Diretora do Senado Federal, seu voto foi depositado no senador Eduardo Girão (Novo-CE), reafirmando que a interlocução com Alcolumbre visa estritamente viabilizar o andamento de pautas trabalhistas.
Solidariedade a parlamentar do PT gera acusações de 'virar a casaca'
O ambiente de desconfiança entre os setores mais radicais da base aliada intensificou-se com a postura adotada por Cleitinho Azevedo diante dos ataques desferidos contra a deputada estadual Ana Elisa (PT-MG). A parlamentar petista acionou os órgãos de segurança pública e a Polícia Civil de Minas Gerais após receber e-mails contendo intimidações com teor racista, ameaças de agressão física e de violência sexual contra sua integridade.
A despeito da forte polarização partidária entre Republicanos e Partido dos Trabalhadores, Cleitinho gravou vídeos de repúdio público ao crime e cobrou a rigorosa identificação e punição dos responsáveis pelas mensagens.
Contudo, perfis de extrema-direita com ampla capilaridade no X (antigo Twitter) e no Telegram passaram a acusar o senador de leniência ideológica. Publicações de influenciadores alinhados ao espectro conservador afirmaram que o representante de Minas Gerais estaria "saindo em defesa da oposição", encarando o gesto republicano como uma ruptura velada com o campo da direita.
Fim da escala 6x1 contrapõe Cleitinho e diretrizes do PL
Outro ponto central de atrito reside na defesa enfática que Cleitinho Azevedo faz do fim da jornada de trabalho 6x1.
O tema colocou o senador em direta dissonância com economistas liberais e entidades patronais que integraram sua coligação vitoriosa ao governo mineiro. Em declarações recentes, o governador eleito defendeu que a classe política usufrui de regalias incompatíveis com a rotina da classe trabalhadora e cobrou engajamento do Congresso na pauta:
"Enquanto vocês estão ralando, trabalhando, pegando ônibus lotado, fazendo a escala 6x1 e ganhando R$ 1.600, aqui o político ganha de R$ 35 mil a R$ 40 mil, sobra privilégios e está sem trabalhar. Quero ter o prazer, como senador da República, de poder votar o fim da escala 6x1 para dar mais uma folga para o trabalhador", declarou Cleitinho Azevedo.
| Tema Controverso | Posição Oficial do Senador Cleitinho | Reação Dominante na Base Conservadora |
| Reunião com Alcolumbre | Diálogo institucional para pautar o fim da jornada 6x1. | Acusações de adesão ao centrão e fisiologismo. |
| Ameaças a Ana Elisa (PT) | Repúdio à violência política e defesa da investigação policial. | Críticas à aproximação com parlamentar da esquerda. |
| Proposta da Escala 6x1 | Defesa irrestrita do direito de descanso dos trabalhadores. | Temor de prejuízos econômicos e desalinhamento com o PL. |
As divergências escancaram a complexidade da transição de estilo vivida por Cleitinho Azevedo, que busca equilibrar o perfil populista de apelo popular, decisivo para sua consolidação nas urnas, com as exigências de governabilidade institucional requeridas para a gestão do Poder Executivo de Minas Gerais a partir de 2027.
Durante a corrida presencial de 2026, Cleitinho Azevedo (Republicanos) adotou uma postura marcada por idas e vindas. Embora tenha mantido declarações de independência no primeiro turno, evitando o alinhamento cego às diretrizes partidárias, o governador eleito de Minas Gerais acabou selando apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Cleitinho justificou o gesto como uma questão de convergência com o campo conservador, apesar de ter ressaltado abertamente suas divergências com a coordenação de campanha do PL e com as posições da legenda contrárias a pautas trabalhistas, como o fim da escala 6x1.
No mapa geral das eleições estaduais de 2026, o alinhamento com os nomes da disputa presidencial no primeiro turno mostrou uma nítida vantagem da oposição: entre os 20 governadores eleitos sem a necessidade de segundo turno, 11 declararão apoio a Flávio Bolsonaro e 5 apoiaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outros 4 governadores venceram sem declarar apoio formal a nenhum dos dois principais blocos, como foi o caso em estados como Amapá, Maranhão e Pernambuco.
Acesse meus artigosBacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer | Conselheiro de Segurança
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