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Cleitinho enfrenta fritura digital da base após gestos de pragmatismo

Governador eleito de Minas e senador irrita militância ao articular com Alcolumbre, solidarizar-se com petista e defender o fim da jornada 6x1

O senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), tornou-se alvo de uma onda de duras críticas e acusações de traição por parte do próprio eleitorado conservador e bolsonarista nas redes sociais nesta semana. O desgaste na base aliada foi deflagrado pela divulgação de um vídeo gravado no gabinete da Presidência do Senado, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF), no qual o parlamentar mineiro aparece ao lado do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para anunciar a votação da proposta de fim da escala 6x1 de trabalho para a próxima quarta-feira, 14 de outubro. O descontentamento do núcleo duro da extrema-direita aprofundou-se após o político manifestar apoio e solidariedade pública à deputada estadual Ana Elisa (PT-MG), vítima de graves ameaças racistas, de morte e de violência sexual por correio eletrônico durante o pleito eleitoral em Minas Gerais. A soma desses episódios expôs um racha em sua militância digital, que interpreta o pragmatismo institucional e as pautas trabalhistas de Cleitinho como uma aproximação indevida do centrão e da esquerda.

Articulação com Alcolumbre e reação do núcleo duro bolsonarista

A publicação do registro audiovisual no qual Cleitinho Azevedo celebra o agendamento da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) desencadeou uma reação imediata de seguidores nas redes sociais. Considerado pela militância direitista uma figura emblemática do fisiologismo e do tradicionalismo político de Brasília, o senador Davi Alcolumbre (União-AP) atua como um dos principais alvos da oposição conservadora no Congresso Nacional.

Comentários nas páginas oficiais do governador eleito classificaram a reunião como "mudança de lado" e "traição ao eleitorado mineiro". Diante da repercussão negativa, Cleitinho Azevedo recorreu à área de comentários do Instagram para rebater as insinuações e esclarecer a natureza do encontro:

"O que eu fiz foi pedir para pautar esse projeto pelo qual venho lutando há três anos. Não fiz vídeo elogiando ele ou apoiando ele. O vídeo é, além de institucional, claro. Eu não votei no Davi e sempre fiz campanha contra, mas ele é o presidente. Para que meus projetos sejam aprovados, passa por ele", justificou o senador mineiro.

O parlamentar acrescentou ainda que, na eleição interna para o comando da Mesa Diretora do Senado Federal, seu voto foi depositado no senador Eduardo Girão (Novo-CE), reafirmando que a interlocução com Alcolumbre visa estritamente viabilizar o andamento de pautas trabalhistas.

Solidariedade a parlamentar do PT gera acusações de 'virar a casaca'

O ambiente de desconfiança entre os setores mais radicais da base aliada intensificou-se com a postura adotada por Cleitinho Azevedo diante dos ataques desferidos contra a deputada estadual Ana Elisa (PT-MG). A parlamentar petista acionou os órgãos de segurança pública e a Polícia Civil de Minas Gerais após receber e-mails contendo intimidações com teor racista, ameaças de agressão física e de violência sexual contra sua integridade.

A despeito da forte polarização partidária entre Republicanos e Partido dos Trabalhadores, Cleitinho gravou vídeos de repúdio público ao crime e cobrou a rigorosa identificação e punição dos responsáveis pelas mensagens. O político ressaltou que a defesa da dignidade humana e o combate à violência política de gênero sobressaem a divergências ideológicas.

Contudo, perfis de extrema-direita com ampla capilaridade no X (antigo Twitter) e no Telegram passaram a acusar o senador de leniência ideológica. Publicações de influenciadores alinhados ao espectro conservador afirmaram que o representante de Minas Gerais estaria "saindo em defesa da oposição", encarando o gesto republicano como uma ruptura velada com o campo da direita.

Fim da escala 6x1 contrapõe Cleitinho e diretrizes do PL

Outro ponto central de atrito reside na defesa enfática que Cleitinho Azevedo faz do fim da jornada de trabalho 6x1. Enquanto lideranças da oposição liberal-conservadora, a exemplo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sustentam que a matéria possui caráter populista e acarreta riscos de elevação dos custos operacionais para pequenos e médios empresários, Cleitinho tem se posicionado abertamente como entusiasta do texto.

O tema colocou o senador em direta dissonância com economistas liberais e entidades patronais que integraram sua coligação vitoriosa ao governo mineiro. Em declarações recentes, o governador eleito defendeu que a classe política usufrui de regalias incompatíveis com a rotina da classe trabalhadora e cobrou engajamento do Congresso na pauta:

"Enquanto vocês estão ralando, trabalhando, pegando ônibus lotado, fazendo a escala 6x1 e ganhando R$ 1.600, aqui o político ganha de R$ 35 mil a R$ 40 mil, sobra privilégios e está sem trabalhar. Quero ter o prazer, como senador da República, de poder votar o fim da escala 6x1 para dar mais uma folga para o trabalhador", declarou Cleitinho Azevedo.

Tema ControversoPosição Oficial do Senador CleitinhoReação Dominante na Base Conservadora
Reunião com AlcolumbreDiálogo institucional para pautar o fim da jornada 6x1.Acusações de adesão ao centrão e fisiologismo.
Ameaças a Ana Elisa (PT)Repúdio à violência política e defesa da investigação policial.Críticas à aproximação com parlamentar da esquerda.
Proposta da Escala 6x1Defesa irrestrita do direito de descanso dos trabalhadores.Temor de prejuízos econômicos e desalinhamento com o PL.

As divergências escancaram a complexidade da transição de estilo vivida por Cleitinho Azevedo, que busca equilibrar o perfil populista de apelo popular, decisivo para sua consolidação nas urnas, com as exigências de governabilidade institucional requeridas para a gestão do Poder Executivo de Minas Gerais a partir de 2027.

Durante a corrida presencial de 2026, Cleitinho Azevedo (Republicanos) adotou uma postura marcada por idas e vindas. Embora tenha mantido declarações de independência no primeiro turno, evitando o alinhamento cego às diretrizes partidárias, o governador eleito de Minas Gerais acabou selando apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Cleitinho justificou o gesto como uma questão de convergência com o campo conservador, apesar de ter ressaltado abertamente suas divergências com a coordenação de campanha do PL e com as posições da legenda contrárias a pautas trabalhistas, como o fim da escala 6x1.
No mapa geral das eleições estaduais de 2026, o alinhamento com os nomes da disputa presidencial no primeiro turno mostrou uma nítida vantagem da oposição: entre os 20 governadores eleitos sem a necessidade de segundo turno, 11 declararão apoio a Flávio Bolsonaro e 5 apoiaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outros 4 governadores venceram sem declarar apoio formal
a nenhum dos dois principais blocos, como foi o caso em estados como Amapá, Maranhão e Pernambuco.

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Bacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas  I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer |  Conselheiro de Segurança

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