Relatório do Coaf aponta movimentações atípicas em contratos de empréstimos consignados que somam milhões entre militares e instituição liquidada.
As movimentações financeiras envolvendo o Exército e Banco Master tornaram-se alvo de intensa fiscalização após a revelação de um relatório de inteligência do Coaf, que detalha o repasse de R$ 39 milhões pela Força à instituição financeira entre agosto de 2024 e outubro de 2025. O documento, encaminhado à CPI do Crime Organizado no Senado em abril de 2026, aponta indícios de irregularidades e uma dinâmica de fluxo de capitais que dificulta a identificação dos beneficiários finais dos recursos.
Origem dos valores e o papel do Comando
A quantia milionária foi movimentada no Distrito Federal por meio do Centro de Pagamento do Exército (CPEx). Foi explicado pela Força que os montantes são oriundos de descontos diretos nos contracheques de militares da ativa e da reserva que contrataram voluntariamente o crédito consignado. Nessa operação, a instituição militar atua apenas como interveniente, efetuando a retenção da parcela e o repasse mensal ao banco credenciado. No entanto, o alerta emitido pelas autoridades financeiras recai sobre a "concentração de valores" em contas específicas, o que foge do padrão esperado para este tipo de transação bancária.
Cronologia da parceria e liquidação
O credenciamento do Exército e Banco Master foi formalizado em fevereiro de 2023, após o cumprimento de requisitos técnicos previstos em edital. Contudo, a parceria foi interrompida de forma abrupta em novembro de 2025, quando a liquidação extrajudicial da instituição foi decretada pelo Banco Central. A rescisão unilateral do contrato pelo Exército ocorreu apenas poucos dias após o colapso do banco, levantando questionamentos sobre a demora na análise de riscos, dado que o mercado já apresentava sinais de instabilidade na gestão de Daniel Vorcaro meses antes do fechamento das portas.
Defesa das Forças e impactos ao Erário
Em nota oficial, foi declarado pelo Comando do Exército que não houve qualquer perda patrimonial para o Erário, uma vez que os valores envolvidos pertencem ao patrimônio privado dos militares. A segurança institucional e a integridade dos processos de pagamento são defendidas pela Força, que afirma ter seguido os ritos legais de transparência. Paralelamente, dados do Portal da Transparência indicam que o montante total repassado pelas Forças Armadas (incluindo Aeronáutica e Marinha) ao banco superou a marca de R$ 137 milhões nos últimos seis anos, consolidando o Master como um dos principais operadores de crédito para o setor militar.
Nota Oficial do Centro de Comunicação Social do Exército
"Em atenção aos questionamentos sobre as operações financeiras com o Banco Master, o Centro de Comunicação Social do Exército esclarece que a Instituição não realiza repasses de recursos públicos de sua dotação orçamentária à referida entidade. Os valores citados em relatórios de inteligência referem-se, exclusivamente, ao cumprimento de obrigações contratuais assumidas voluntariamente por militares junto à instituição financeira, sob a modalidade de consignação em folha de pagamento.
Ressalta-se que o Exército Brasileiro atua apenas como interveniente no repasse de valores que compõem o patrimônio privado de seus integrantes. O credenciamento do banco seguiu todos os trâmites legais previstos na legislação vigente à época. O Exército reitera seu compromisso com a transparência e permanece à disposição dos órgãos de controle para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais."