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Uruguai cede cota de carne e reduz taxa do Brasil na China

Acordo bilateral em Nova York alivia frigoríficos brasileiros após esgotamento de limite de exportação e sobretaxa de 55% no mercado chinês

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira (21), em Nova York, nos Estados Unidos, que o Uruguai autorizou o Brasil a utilizar o excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina destinada à China. A iniciativa diplomática ocorre após o setor frigorífico brasileiro esgotar precocemente o limite anual com alíquota preferencial de 12%, o que sujeitou os envios excedentes a uma tarifa de importação punitiva de 67% (composta por 12% da taxa base acrescida de 55% de sobretaxa). O entendimento foi alinhado durante reunião bilateral entre Lula e o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, no âmbito da Assembleia Geral das Nações Unidas.

O arranjo visa dar fôlego comercial às exportações brasileiras de proteína animal, gravemente impactadas desde meados do ano, quando os embarques ultrapassaram a cota preferencial de 1,106 milhão de toneladas fixada para 2026. Como o Uruguai possui uma cota própria negociada com Pequim que não costuma ser integralmente preenchida pelos produtores locais, a cedência do volume residual permite que plantas brasileiras voltem a comercializar o produto com tarifas alfandegárias menores no principal destino global do setor.

Aval de Pequim e o nó tarifário no comércio exterior

Apesar do anúncio comemorado pelo Palácio do Planalto e por lideranças do agronegócio, a viabilização prática da medida depende do aval formal do governo da República Popular da China. Pequim precisa ratificar a transferência operacional do limite entre dois membros do Mercosul para ajustar seus sistemas alfandegários.

A urgência por uma solução intensificou-se no segundo semestre. Em agosto, com a sobretaxa de 55% incidente sobre as cargas excedentes brasileiras, os embarques de carne bovina para o mercado chinês despencaram, registrando queda superior a 27%. O travamento das compras levou grandes frigoríficos instalados em estados como Mato Grosso e São Paulo a adotarem férias coletivas, reduzirem abates ou buscarem mercados alternativos, a exemplo de Rússia, Filipinas e Estados Unidos.

"Agradeci a autorização concedida ao Brasil para uso do excedente da cota uruguaia de exportação de carne bovina para a China", declarou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em postagem oficial publicada em suas redes sociais após o encerramento do encontro.

Impacto para o agronegócio e projeções para 2027

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) avalia o acordo como um alívio fundamental para garantir a estabilidade do fluxo comercial. Entidades do setor destacam que, para 2027, a regra de aproveitamento de sobras de vizinhos do bloco ganha relevância ainda mais estratégica. O volume teto do Brasil para o próximo ano está fixado em 1,128 milhão de toneladas — valor que, diante do ritmo produtivo do país, corre o risco de ser atingido logo nos primeiros meses do período.

Além das tratativas sobre a carne bovina, a agenda bilateral em Nova York debateu projetos de infraestrutura regional na fronteira entre os dois países, incluindo a construção da ponte binacional sobre o Rio Jaguarão e a integração logística no Mercosul.

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