Brasil vira devedor externo após 19 anos com dívida maior que reservas
Balanço de pagamentos divulgado pelo Banco Central confirma inversão de posição financeira internacional mantida desde 2007 no país
A posição de credor líquido mantida durante 19 anos foi oficialmente perdida pelo Brasil. Dados do balanço de pagamentos foram consolidados e divulgados pelo Banco Central em Brasília, Distrito Federal, indicando que a dívida externa brasileira superou o total de ativos e reservas internacionais. O saldo devedor de US$ 5,1 bilhões foi registrado no fechamento do primeiro semestre, quando o passivo bruto do país atingiu a marca de US$ 407,1 bilhões. A expansão dos compromissos no exterior foi impulsionada pelo endividamento de empresas privadas, enquanto as reservas internacionais acumularam um ritmo menor de crescimento.
O recorde em quatro décadas da dívida externa bruta foi impulsionado pelo setor privado brasileiro. Cerca de 73% de todo o valor devido no exterior é concentrado por compromissos financeiros tomados por empresas privadas e instituições bancárias. A contratação de crédito internacional por corporações foi ampliada para o financiamento de operações e investimento em tecnologia. Em contrapartida, a fatia sob responsabilidade do setor público direto permanece coberta pelos ativos mantidos pelo governo federal.
O avanço nas obrigações externas foi registrado em um cenário de aumento das despesas no balanço de transações correntes. Os compromissos com remessas de lucros, serviços internacionais e pagamento de juros foram elevados nos últimos anos. Ao mesmo tempo, o crescimento das reservas em dólar foi contido por intervenções operacionais do Banco Central no mercado de câmbio e pela valorização de moedas estrangeiras.
Analistas do mercado financeiro e agências de classificação de risco avaliam que a liquidez do país é preservada por um volume confortável de moedas estrangeiras. O financiamento das contas externas continuou a ser garantido pelo fluxo de investimento estrangeiro, embora com uma margem de folga reduzida na comparação com períodos anteriores. A vulnerabilidade macroeconômica direta é afastada por economistas, mas a perda da condição de credor líquido reduz o espaço de manobra do país para absorver choques financeiros internacionais sem pressões sobre a cotação do dólar.
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