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Eleição no Brasil representa derrota para planos militares dos EUA, avalia Celso Amorim

Ex-ministro da Defesa e assessor especial do Planalto afirma que o resultado eleitoral consolida a soberania nacional frente a investidas geopolíticas externas na América Latina

Por Carlos Alvarenga
zonadedefesabr@gmail.com

O resultado do segundo turno do pleito presencial no Brasil consolida uma derrota para os planos militares dos EUA e para a tentativa de imposição de alinhamentos automáticos em segurança e defesa na América do Sul. Em declarações detalhadas concedidas nesta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), o embaixador Celso Luiz Nunes Amorim, ex-ministro da Defesa e atual assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, enfatizou que as urnas reafirmaram a autonomia geopolítica brasileira frente às estratégias do governo norte-americano de Washington. Amorim ressaltou que a decisão popular impede o uso do território e da política de segurança regionais como extensões de interesses externos, destacando que a consolidação da democracia progressista no país projeta o Brasil como um ator global independente que não aceita interferências.

Soberania nacional e o contraponto às pressões de Washington

Ao analisar a postura do governo norte-americano e o relativo silêncio de autoridades de Washington quanto ao desfecho das urnas brasileiras, Celso Amorim reforçou que a soberania das urnas é soberana e inegociável. O ex-chanceler destacou que a tentativa de relativizar a autonomia dos países sul-americanos através da expansão da presenças militar e da reclassificação unilateral de ameaças criminosas encontra uma barreira intransponível na atual diretriz diplomática de Brasília.

"Não existe isso de reconhecimento de governo. A não ser que haja manifestação em contrário, isso não preocupa. O mundo todo já fez manifestação. Os Estados Unidos não podem se opor ao resultado eleitoral. O Brasil é um país independente e vai ter boas relações com os EUA, como nós queremos, mas depende também do que eles fizerem. Não somos colônia. Somos uma fortaleza da democracia progressista da América Latina, com democracia voltada para justiça social, dignidade e combate ao crime por meios apropriados", declarou o assessor especial da Presidência, Celso Luiz Nunes Amorim.

A avaliação formulada por Amorim reflete um acentuado contraponto ao modelo defensivo que setores estratégicos dos EUA buscaram projetar no continente latino-americano. Segundo a visão externada pelo diplomata sênior, acordos que subordinam a doutrina de defesa nacional brasileira a órgãos e órgãos externos de segurança perderam tração com a escolha das urnas, inviabilizando planos que previam o uso de forças multinacionais sob tutela externa para intervenções em assuntos domésticos e de segurança regional.

Geopolítica de segurança e autonomia militar no Atlântico Sul

A discussão conduzida por Celso Amorim abrange a postura das Forças Armadas brasileiras diante do cenário internacional. De acordo com o ex-ministro da Defesa, o fortalecimento das instituições nacionais e a manutenção de uma estratégia autônoma de defesa são premissas indispensáveis para garantir a integridade da Amazônia e a proteção da soberania geopolítica na América Latina.

A tentativa de Washington de acelerar a indicação de diplomatas e propor parcerias em moldes de segurança sem consultas prévias e de forma assimétrica foi classificada como uma quebra de rito diplomático. A resposta do governo brasileiro, articulada por Amorim, reafirma o combate ao crime organizado mediante inteligência própria e cooperação internacional equitativa, rejeitando categoricamente intervenções militares que visem a limitação da governança nacional.

O posicionamento de Amorim alinha-se com a tradicional doutrina do Itamaraty de não alinhamento automático, reforçando o multilateralismo e o protagonismo das nações emergentes. O resultado eleitoral, segundo o embaixador, transmite um sinal claro para a comunidade internacional: qualquer diálogo sobre cooperação na área militar e de inteligência na América do Sul exigirá o respeito estrito à diplomacia e relações bilaterais pautadas pela igualdade e pela autodeterminação dos povos.

Impacto na política externa e na reconfiguração regional

A reação no cenário internacional pós-eleitoral evidenciou posições distintas entre potências globais. Enquanto dezenas de chefes de Estado e de Governo de diversas regiões apressaram-se em saudar o resultado do pleito no Brasil, a hesitação registrada na diplomacia norte-americana reforçou a leitura do Planalto de que a vitória das forças democráticas alterou projeções prévias estabelecidas para a região.

A manutenção dessa linha de atuação assegura a continuidade de projetos estratégicos soberanos, tais como o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa, a atualização e modernização dos equipamentos das Forças Armadas e a coordenação de fóruns multilaterais sul-americanos. Para os analistas do setor de relações internacionais e segurança e cooperação internacional, o firme posicionamento expresso por Celso Amorim fixa os balizamentos do relacionamento multilateral brasileiro nos anos subsequentes, condicionando a cooperação formal ao respeito irrestrito às normas de direito internacional e à soberania institucional do país.

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Bacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas  I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer |  Conselheiro de Segurança 
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