PL elege 121 deputados e 19 senadores, enquanto Flávio Bolsonaro termina o primeiro turno à frente de Lula e leva disputa presidencial para 25 de outubro.
O Eleições 2026 consolidou uma nova correlação de forças no Congresso Nacional e colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da disputa pela Presidência da República. Na apuração oficial divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 99,99% das urnas apuradas, Flávio recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 53.876.617 votos, ou 45,16%. A votação decisiva ocorrerá em 25 de outubro.
O resultado presidencial veio acompanhado de uma forte expansão do Partido Liberal (PL) no Legislativo. A legenda elegeu 121 deputados federais, o equivalente a 23,6% das 513 cadeiras da Câmara, e conquistou 19 das 54 vagas renovadas no Senado. A partir de 2027, considerando também os senadores que permanecerão com mandato, o PL deverá chegar a 28 integrantes, formando a maior bancada da Casa.
A nova composição amplia o peso de partidos de direita e centro-direita nas decisões do Congresso, embora o resultado não represente, por si só, uma maioria automática do PL para aprovar qualquer matéria. A formação de maiorias dependerá de alianças com outras legendas e da posição do chamado centrão.
PL lidera nova composição da Câmara
O desempenho do PL representa um dos principais fatos políticos das eleições legislativas de 2026. A legenda passou a ser a maior bancada da Câmara, com 121 deputados eleitos, 24 a mais do que havia conquistado no pleito de 2022.
A segunda maior força será a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, com 88 cadeiras. Desse total, 70 são deputados do PT. A União Progressista, formada por União Brasil e PP, aparece logo depois, com 87 deputados.
Na sequência, o PSD terá 43 parlamentares, o Republicanos contará com 41 e o MDB ficará com 36. Os números mostram uma Câmara fragmentada, mas com predominância de partidos classificados no campo da direita e do centro-direita.
Segundo levantamento da Folha de S.Paulo, a direita deverá ocupar cerca de 59,1% das cadeiras da Câmara, enquanto a esquerda ficará com aproximadamente 24,2% e o centro com 16,8%. A classificação ideológica, entretanto, reúne partidos diferentes e não significa que todos votarão de maneira uniforme.
O tamanho das bancadas terá impacto direto na negociação de projetos, na distribuição de espaços de poder e na definição da pauta legislativa a partir de 2027.
Para acompanhar os efeitos do resultado nas diferentes regiões, a cobertura sobre Congresso Nacional em 2027 será um dos principais eixos de análise política nos próximos meses.
Senado terá maior bancada do PL desde a redemocratização
No Senado, o resultado também foi expressivo para o PL. A legenda elegeu 19 senadores nas 54 vagas em disputa, número que a colocou como a sigla que mais cresceu na renovação da Casa.
A diferença entre os números de 19 e 28 é importante. 19 é o número de senadores eleitos pelo PL em 2026. Já 28 é a bancada projetada para o início da legislatura de 2027, quando serão somados os parlamentares eleitos aos nove senadores do partido que já possuem mandato.
O Senado Federal deverá começar 2027 com o PL na liderança, seguido pelo PT, com nove integrantes, e pelo MDB, com oito. A federação União Progressista deverá reunir 11 senadores.
A nova configuração poderá modificar significativamente as negociações sobre projetos de lei, indicações para tribunais superiores, propostas de emenda à Constituição e outras matérias que dependem de quóruns específicos.
A renovação também atingiu políticos de longa trajetória. Entre os senadores que não conseguiram permanecer na Casa estão Renan Calheiros (MDB-AL), Ciro Nogueira (PP-PI) e Randolfe Rodrigues (PT-AP).
Flávio chega ao segundo turno na liderança
Na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula por uma diferença de aproximadamente 2,27 milhões de votos. O resultado confirmou a tendência apontada por levantamentos divulgados nas semanas anteriores, embora as pesquisas tenham apresentado diferentes cenários e margens de vantagem.
O TSE confirmou que a disputa será decidida em 25 de outubro, quando os eleitores voltarão às urnas para escolher entre os dois candidatos mais votados.
Flávio Bolsonaro, de 45 anos, é senador pelo Rio de Janeiro e disputa a Presidência pela primeira vez. Natural de Resende, no estado do Rio de Janeiro, foi deputado estadual antes de chegar ao Senado. Seu candidato a vice-presidente é o deputado federal Alfredo Gaspar (PL).
Lula, de 80 anos, busca um novo mandato presidencial. Natural de Garanhuns, em Pernambuco, foi presidente entre 2003 e 2010 e voltou ao cargo em 2023. O vice na chapa é Geraldo Alckmin (PSB), atual vice-presidente da República.
A disputa entra agora em uma fase diferente. Os dois candidatos precisarão ampliar suas alianças e buscar eleitores que votaram nos concorrentes eliminados no primeiro turno.
Resultado não garante maioria automática ao próximo presidente
Apesar do avanço do PL e de outras legendas de direita, o resultado parlamentar não significa que um eventual governo de Flávio Bolsonaro terá maioria automática no Congresso. Da mesma forma, uma eventual vitória de Lula exigiria negociação com uma Câmara e um Senado diferentes dos atuais.
O centrão, especialmente partidos como União Progressista, PSD, Republicanos e MDB, continuará exercendo papel relevante na formação de maiorias.
Na Câmara, uma proposta de emenda à Constituição exige 308 votos, número que nenhuma legenda alcança isoladamente. A negociação parlamentar, portanto, continuará sendo determinante para a aprovação de mudanças constitucionais e de projetos estruturantes.
O resultado também deverá influenciar a disputa pela presidência da Câmara e do Senado, cargos que possuem papel estratégico na definição da pauta legislativa.
As eleições de 2026 produzem, assim, dois movimentos simultâneos: uma disputa presidencial ainda indefinida e uma mudança significativa na composição do Congresso Nacional. O segundo turno definirá quem ocupará o Palácio do Planalto, enquanto as negociações partidárias determinarão como o novo Legislativo funcionará a partir de 2027.
Checagem dos principais números
Flávio Bolsonaro: 56.104.268 votos e 47,03% dos votos válidos.
Lula: 53.876.617 votos e 45,16%.
PL na Câmara: 121 deputados eleitos.
Federação PT-PCdoB-PV: 88 cadeiras.
União Progressista: 87 cadeiras.
PL no Senado: 19 senadores eleitos em 2026.
Bancada projetada do PL no Senado em 2027: 28 senadores.
Segundo turno presidencial: 25 de outubro de 2026.
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