Parceria com a norte-americana Valkyrie Aero integra o sistema Gunslinger para criar uma solução tática de baixo custo contra ameaças não tripuladas em teatros de guerra modernos
A EMBRAER anunciou a expansão das capacidades operacionais do A-29 Super Tucano para missões de Counter-Unmanned Aircraft Systems (C-UAS), transformando a consagrada plataforma de ataque leve em uma ferramenta estratégica para a neutralização de aeronaves não tripuladas em conflitos de alta intensidade.
A assimetria do conflito moderno e a resposta de baixo custo
A proliferação de veículos aéreos não tripulados (VANTs), munições loitering e enxames de drones em guerras recentes redefiniu a doutrina de defesa aérea mundial. O emprego recorrente de jatos de alta performance, como o F-16, o Saab Gripen ou o F-35, para interceptar vetores lentos e baratos tem gerado uma equação insustentável para os orçamentos militares. Cada hora de voo de um caça de quarta ou quinta geração custa dezenas de milhares de dólares, valor exacerbado pelo consumo de mísseis ar-ar de última geração cujos estoques e substituições exigem prazos longos de fabricação.
Nesse cenário, a inclusão da missão C-UAS no portfólio do A-29 Super Tucano estabelece uma camada intermediária de interdição aéreo-terrestre. A plataforma turbopropulsora opera com um custo por hora de voo substancialmente inferior ao de vetores a jato, permitindo manter patrulhas de longa duração em setores de infraestrutura crítica, áreas fronteiriças e linhas de suprimento estratégico.
Com o sistema Gunslinger, a aeronave passa a automatizar a cadeia tática de engajamento conhecida no meio militar como Find, Fix and Finish (Encontrar, Fixar e Finalizar). A ferramenta de software e hardware desenvolvida pela Valkyrie Aero combina os dados captados pelos sensores eletro-ópticos e infravermelhos (EO/IR) do avião com sistemas de datalink e redes de inteligência de solo.
"O Gunslinger nasce das necessidades imediatas dos combatentes de linha de frente, profissionais com os quais a equipe opera e treina diariamente", afirmou Chris Turner, vice-presidente sênior de Estratégia Corporativa da Valkyrie Aero.De acordo com o executivo, a tecnologia reduz a carga de trabalho no cockpit (workload), permitindo que o piloto identifique e classifique assinaturas térmicas e visuais reduzidas — características típicas de drones de pequeno porte feitos de composite ou polímeros — em fração de segundos.
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| REDE DE SENSORES / DATALINK SOLO |
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v
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| SISTEMA GUNSLINGER (IA) |
| Processamento de dados e alvos |
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| A-29 SUPER TUCANO (COCKPIT) |
| Decisão do Piloto & Engajamento |
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| METRALHADORAS .50| | FOGUETES GUIADOS |
| (Internas) | | (APKWS/Laser) |
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Sensores, armamentos e envelope de voo otimizado
A eficácia do A-29 Super Tucano na caça a drones baseia-se na sinergia entre o seu envelope de voo e a variedade de armamentos integrados às suas asas. Ao contrário dos caças a jato, projetados para operações em altíssima velocidade e altitude, o turbopropulsor possui excelente manobrabilidade a baixas velocidades e em voos rentes ao solo (LOAL/Nap-of-the-Earth). Essa característica permite acompanhar diretamente aeronaves remotamente pilotadas das categorias MALE (Média Altitude e Longa Autonomia) e TALE, além de artefatos de rotação fixa ou móvel.
O arsenal do Super Tucano para a função antidrone aproveita armamentos já homologados na aeronave, garantindo flexibilidade tática ao operador:
- Metralhadoras .50 (12,7 mm): Duas metralhadoras embutidas nas asas com alta cadência de tiro, oferecendo uma solução de engajamento cinético a curtíssima distância e baixíssimo custo monetário por disparo.
- Foguetes Guiados a Laser: Sistemas como o APKWS (Advanced Precision Kill Weapon System), que convertem foguetes convencionais de 70 mm em munições de precisão cirúrgica, ideais para abater drones de médio porte a distâncias seguras.
- Sensores EO/IR e Designador Laser: Torres optrônicas de última geração integradas sob a fuselagem para identificação visual noturna e diurna e iluminação de alvos em tempo real.
- Datalink e Conectividade: Capacidade de receber vetores de interceptação diretamente de radares de defesa aérea terrestres, navios de guerra ou aviões alerta aéreo antecipado (AEW&C).
A estrutura blindada do cockpit do A-29, capaz de suportar impactos de munições de calibre 7,62 mm e fragmentos de até 12,7 mm, confere ao piloto proteção adicional contra a eventual detonação de cargas explosivas transportadas pelos próprios drones no momento do abate em curta distância.
Posição na doutrina de defesa e apelo comercial global
A adição da capacidade C-UAS não visa substituir a defesa antiaérea baseada em solo (sistemas de mísseis SHORAD/VSHORAD) nem a aviação de caça de alta performance. A proposta da Embraer Defesa & Segurança é atuar como um multiplicador de força complementar. Dessa forma, os mísseis de alto custo e as plataformas de superioridade aérea continuam reservados exclusivamente para a neutralização de caças inimigos, bombardeiros e mísseis de cruzeiro supersônicos.
A novidade amplia a atratividade comercial do A-29 Super Tucano, uma das plataformas mais vendidas de sua categoria no mercado internacional.
O pacote de modificação antidrone baseado em inteligência artificial poderá ser instalado tanto em novas células produzidas pela Embraer quanto na frota já em operação em diversos continentes. A flexibilidade do sistema permite que países que já operam a aeronave em missões de ataque leve, patrulha de fronteira e contra-insurgência atualizem seus vetores para responder diretamente às novas ameaças do espaço aéreo moderno.