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Guerra digital: ação amplia cerco ao canal de Janones no Google e no X

Defesa de Flávio Bolsonaro aponta manipulação algorítmica e exige dados da Meta, do Google e do X a poucos dias do 2º turno

A guerra digital nos bastidores do segundo turno da eleição presidencial ganhou contornos inéditos de disputa tecnológica e jurídica em Brasília, no Distrito Federal. A coligação do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou uma nova petição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para solicitar a ampliação da investigação sobre o canal de mensagens Exército do Lula, gerido pelo deputado federal André Janones (Avante-MG). Os advogados do candidato liberal alegam que a rede, criada no WhatsApp e com mais de 7 milhões de seguidores inscritos, vem sendo utilizada para coordenar ações de manipulação de algoritmo no motor de busca do Google e no painel de tendências da rede social X (antigo Twitter). A ofensiva jurídica exige que a Justiça Eleitoral determine o envio formal de esclarecimentos e relatórios de inteligência por parte das grandes empresas de tecnologia sobre ações coordenadas de engajamento artificial ocorridas na última terça-feira, 20 de outubro.

Engenharia de busca e indução de respostas por inteligência artificial

A peça jurídica apresentada pelos advogados de Flávio Bolsonaro detalha que o parlamentar mineiro utilizou áudios e mensagens no grupo de transmissão para instruir militantes e simpatizantes a realizarem buscas massivas no Google pela expressão exata "Bolsonaro mandou matar Lula". O objetivo central do disparo coordenado, segundo a acusação, era inflar artificialmente o volume de consultas do termo para fazê-lo atingir o topo das tendências do Google Trends e forçar os mecanismos de indexação e os resumos gerados por inteligência artificial a destacarem a pauta.

De acordo com levantamentos anexados ao processo, o volume de buscas pela frase registrou uma disparada de aproximadamente 1.000% em um intervalo de 24 horas. Como desdobramento do aumento repentino de acessos, o assistente em modo IA do Google passou a exibir como resposta principal notas explicativas sobre investigações da Polícia Federal envolvendo o plano conspiratório conhecido como "Punhal Verde e Amarelo", articulado em 2022.

Para a coligação de Flávio Bolsonaro, a tática configura conduta vedada e propaganda eleitoral irregular, uma vez que altera de forma artificial o ecossistema de informação e dribla as diretrizes de moderação das plataformas digitais através da exclusão rápida de áudios orientativos.

Estratégia no X e neutralização de pautas adversárias

Além da indução de resultados no buscador, a petição aponta a aplicação de técnicas de neutralização de hashtags no microblog X. Em áudios atribuídos ao deputado André Janones divulgados no canal, o parlamentar orienta os seguidores a impulsionarem a expressão "Nordestinos com Lula" para sobrepor e reduzir a visibilidade de uma tag adversária intitulada "Não calem os nordestinos".

"A gente derrubou para quinto lugar, que era 'não calem os nordestinos'. Aí o que eu fiz? Eu bolei uma hashtag que também teria a palavra 'nordestinos'. Quando duas hashtags contêm a mesma palavra, o X entende que é um assunto só, e ele escolhe a que tem mais menções", explicou o deputado André Janones em áudio enviado aos inscritos do canal de transmissão.

A defesa do candidato do PL alega que o compartilhamento de links pré-formatados em páginas correlatas, como o perfil @lulaversoficial, demonstra o uso de uma estrutura organizada e orquestrada para interferir de maneira direta e indevida no ambiente informacional do pleito.

Impasses no TSE e regras sobre apoio espontâneo nas redes

A tramitação do caso no Tribunal Superior Eleitoral é marcada por divergências jurídicas entre os ministros. O presidente da Corte Eleitoral e o ministro Nunes Marques chegaram a determinar previamente restrições ao canal de mensagens a pedido da oposição, enquanto o relator da matéria, ministro Raul Araújo, e instâncias técnicas avaliaram que a mobilização voluntária de apoiadores em canais oficiais não constitui, por si só, infração à legislação vigente.

As diretrizes recentes fixadas pela Justiça Eleitoral estabelecem que a organização e o engajamento de usuários em ambiente digital não configuram vínculo irregular automático com a campanha oficial, desde que não haja emprego de ferramentas automatizadas proibidas, como robôs e disparos em massa contratados de forma paga.

As empresas Meta, Google e X foram notificadas para fornecer os relatórios de integridade solicitados pela Justiça. O pleno do TSE deve avaliar o pedido de liminar e decidir se as táticas de indução de algoritmo ferem a isonomia do processo eleitoral na reta final da votação.

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Bacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas  I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer |  Conselheiro de Segurança

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