Estrutura militar e patrimônio histórico mantêm vigilância na fronteira de Mato Grosso do Sul
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O Forte de Coimbra, localizado no distrito de Forte Coimbra, no município de Corumbá, Estado de Mato Grosso do Sul, permanece como um dos pilares estratégicos da defesa territorial brasileira e marco da preservação histórica do país. O Exército Brasileiro opera continuamente a estrutura por meio da 3ª Companhia de Fronteira, unidade subordinada à 18ª Brigada de Infanteria de Pantanal. A organização militar executa ações de patrulhamento fluvial e combate a ilícitos transfronteiriços ao longo da calha do Rio Paraguai. O complexo defensivo, erguido originalmente em alvenaria de pedra e cal a partir de 3 de novembro de 1797 pelo engenheiro militar Ricardo Franco de Almeida Serra, consolida a presença do Estado na faixa de fronteira com o Paraguai e a Bolívia, integrando operações de segurança com a preservação do patrimônio cultural nacional.
A posição geográfica do forte responde às exigências geopolíticas delineadas no final do século XVIII. O capitão-general Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres ordenou a primeira ocupação da área em 13 de setembro de 1775. O estabelecimento do antigo Presídio de Nossa Senhora do Carmo de Coimbra visava barrar o avanço das tropas da Coroa Espanhola na bacia do Rio Paraguai. A vulnerabilidade das cercas iniciais de madeira exigiu a construção de uma fortaleza definitiva. O projeto definitivo de Ricardo Franco adaptou a alvenaria militar às elevações do terreno, criando posições de tiro capazes de cruzar fogos sobre a navegação no rio e garantir a integridade dos domínios lusitanos no extremo oeste do continente.
Estratégia militar e atuação de inteligência na faixa de fronteira
A 3ª Companhia de Fronteira desempenha tarefas ostensivas e de inteligência militar na Calha do Rio Paraguai. As tropas realizam abordagens a embarcações suspeitas, fiscalizam o transporte de cargas e mantêm postos fixos de observação ao longo do curso d'água. A localização estratégica da fortificação permite ao Exército Brasileiro interceptar rotas clandestinas utilizadas pelo crime organizado para o tráfico de drogas, contrabando de armas e crimes ambientais no bioma pantaneiro.
A coordenação das operações na fronteira de Mato Grosso do Sul exige integração permanente entre as Forças Armadas e órgãos de segurança pública. O general de brigada comandante da 18ª Brigada de Infanteria de Pantanal destaca o papel operacional da sede militar no Pantanal.
"A presença da tropa no distrito de Forte Coimbra assegura a prontidão operacional do Exército Brasileiro em uma área de acesso complexo, garantindo a dissuasão de ameaças e a proteção das comunidades ribeirinhas".
Além do patrulhamento ostensivo, os militares fornecem apoio logístico básico, assistência médica e transporte de emergência para os moradores da Vila de Forte Coimbra. A comunidade local abriga famílias de militares, trabalhadores civis e populações ribeirinhas que residem isoladas dos grandes centros urbanos. A ausência de rodovias pavimentadas até a localidade faz com que o transporte fluvial via Rio Paraguai e os voos de apoio logístico em pista não pavimentada constituam os únicos elos de ligação com a sede do município de Corumbá.
O legado da resistência na Guerra do Paraguai
O valor histórico da fortaleza consolidou-se durante a Campanha de Mato Grosso no conflito da Guerra do Paraguai. Em 27 de dezembro de 1864, uma força invasora paraguaia composta por dez embarcações armadas e mais de 3.000 soldados comandados pelo coronel Vicente Barrios cercou a posição defensiva. O comandante brasileiro, tenente-coronel Hermenegildo de Albuquerque Portocarrero, liderava uma guarnição reduzida de aproximadamente 110 homens, acompanhados por dezenas de mulheres e crianças abrigadas no interior da estrutura de pedra.
Mesmo diante da desproporção numérica e da exigência de rendição incondicional formulada pelas tropas invasoras, o comandante Portocarrero recusou o ultimato. A guarnição sustentou o fogo de artilharia contra a esquadra inimiga durante três dias consecutivos de combate intenso, causando danos às embarcações adversárias. O esgotamento da munição de pólvora e a avaria das muralhas obrigaram a chefia militar brasileira a organizar uma evacuação estratégica. Na noite de 29 de dezembro de 1864, os defensores embarcaram a população civil e a tropa em pequenas lanchas, retirando-se em silêncio pelo Rio Paraguai sem sofrer baixas no processo de fuga.
A reocupação brasileira da fortaleza ocorreu em abril de 1868, quando as forças paraguaias abandonaram o local devido ao avanço da Tríplice Aliança no sul do teatro de operações. Após o término da guerra em 1870, o Governo Imperial determinou a reconstrução completa dos baluartes de alvenaria. O trabalho de restauração preservou o desenho geométrico original elaborado por Ricardo Franco de Almeida Serra, permitindo que a fortificação mantivesse suas características arquitetônicas do período colonial.
Preservação do patrimônio e rotas de ecoturismo cultural
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tombou o complexo do Forte de Coimbra como patrimônio histórico nacional no ano de 1974. A portaria de tombamento reconheceu o valor arquitetônico, a relevância geopolítica e a preservação das estruturas militares do século XVIII. O espaço conta com um museu militar aberto à visitação pública, reunindo canhões de época, uniformes antigos, armamentos utilizados na Guerra do Paraguai e documentos cartográficos traçados pelas expedições de demarcação de limites da Coroa Portuguesa.
O turismo histórico e ecológico na região atrai expedicionários, pesquisadores e passageiros de cruzeiros fluviais. Os roteiros de navegação partem do porto de Corumbá e percorrem o curso do Rio Paraguai até o ancoradouro da fortificação. Os visitantes realizam rotas guiadas pelas muralhas de alvenaria, conhecem a Capela de Nossa Senhora do Carmo e exploram a Gruta de Ricardo Franco, uma formação de cavidade natural situada nas proximidades do forte militar.
Para acessar o local de forma independente, os cidadãos devem seguir os protocolos estabelecidos pela administração militar. O comando do 17º Batalhão de Fronteira exige a solicitação formal de agendamento e a apresentação de documentos de identificação civil no posto de controle de acesso da 3ª Companhia de Fronteira. A exigência garante a segurança do perímetro operacional militar e a preservação do acervo arquitetônico tombado pela União.
A manutenção da fortaleza pelo Exército Brasileiro alia a guarda dos limites territoriais à salvaguarda da memória nacional. O funcionamento contínuo das instalações militares na fronteira de Mato Grosso do Sul assegura a defesa da soberania e consolida a calha do Rio Paraguai como um dos corredores mais relevantes para a história e a geopolítica da América do Sul.


