Casa Branca e Teerã negociam memorando de paz mediado pelo Paquistão, mas pontos críticos sobre o Estreito de Ormuz e o programa nuclear ainda travam a assinatura definitiva
O anúncio de um memorando de entendimento para o estabelecimento da paz na região foi realizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na noite deste sábado, 23 de maio de 2026. A declaração foi feita por meio de suas redes sociais oficiais, onde foi informado que um acordo com o Irã para o encerramento do conflito armado foi amplamente desenhado após intensas rodadas de negociações bilaterais. O processo diplomático, que conta com a mediação direta do governo do Paquistão, foi classificado pelo mandatário americano como um avanço histórico para a segurança internacional e para a estabilização dos mercados globais de energia. No entanto, o otimismo demonstrado por Washington é recebido com cautela pelas autoridades de Teerã, que apontam a existência de impasses severos antes da assinatura final do documento.
O plano de pacificação começou a ser estruturado em Islamabad, capital paquistanesa, localidade que serviu de palco para os encontros secretos entre diplomatas americanos e iranianos durante o período de cessar-fogo em vigor. A articulação do governo dos EUA para a consolidação desse acordo com o Irã envolveu também uma série de conferências telefônicas estratégicas conduzidas por Trump com os principais líderes das potências regionais, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Turquia. Uma consulta detalhada também foi realizada junto ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, com o objetivo de alinhar as garantias de defesa mútua na região e mitigar os riscos de novos desdobramentos bélicos na Síria e no Líbano.
Apesar da ampla repercussão internacional da postagem de Donald Trump, os termos definitivos do tratado ainda são objeto de forte contestação. Pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, foi confirmado neste domingo, 24 de maio, que o texto preliminar é composto por 14 cláusulas fundamentais voltadas à cessação imediata das hostilidades. Contudo, foi ressaltado pela diplomacia iraniana que o consenso pleno ainda não foi alcançado devido a divergências profundas em duas frentes específicas: as restrições ao programa atômico e o controle de rotas marítimas estratégicas.
A exigência central apresentada pela comitiva de Washington estabelece que uma suspensão de 20 anos no enriquecimento de urânio seja cumprida pelo Irã, além da obrigatoriedade de transferência de todo o estoque existente do mineral para solo estrangeiro. Em contrapartida, é demandado por Teerã que as sanções econômicas sejam levantadas de forma integral e imediata, rejeitando-se o modelo de liberação gradual de ativos proposto pelos americanos, que prevê o desbloqueio inicial de apenas 25% dos bilhões de dólares retidos no sistema financeiro ocidental.
O segundo grande obstáculo reside na governança do Estreito de Ormuz, canal por onde trafega cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo. Uma garantia de livre navegação permanente é exigida pela Casa Branca para neutralizar a crise de abastecimento global. Por outro lado, a soberania exclusiva sobre as águas territoriais do golfo é reivindicada pelo governo iraniano, que condiciona a desmobilização de suas forças navais ao encerramento definitivo das operações de monitoramento da Marinha americana na costa do país.
O panorama das tratativas foi sintetizado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em pronunciamento oficial na manhã deste domingo. Pelo chefe da diplomacia americana, foi informado que as chances de uma resolução bem-sucedida estão estimadas em 50%, confirmando que equipes técnicas permanecem mobilizadas na busca por um denominador comum. A comunidade internacional aguarda o desfecho das reuniões técnicas em Islamabad nas próximas horas, ciente de que a assinatura do acordo com o Irã poderá reconfigurar a geopolítica do Oriente Médio e consolidar as bases para uma nova era de diplomacia e defesa na região.