Ex-prefeito de Belford Roxo resA revogação da prisão em flagrante foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em favor do ex-prefeito do município de Belford Roxo, Marcelo Canella, que havia sido detido por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.
A detecção do armamento de uso restrito pela Polícia Federal
A ação restritiva da liberdade foi efetuada na manhã da última terça-feira, dia 7 de julho de 2026, no contexto de uma ampla investigação que apura crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Durante a abordagem ao veículo do ex-gestor municipal, localizado em seu endereço de residência no município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, agentes da Polícia Federal localizaram um fuzil calibre .556 ocultado no interior do automóvel.Por não possuir a autorização legal para o porte e o registro do armamento considerado de uso restrito pelas forças de segurança, a prisão em flagrante foi lavrada imediatamente. O político foi formalmente conduzido à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro, localizada na Praça Mauá, na Zona Portuária da capital fluminense.
A decisão do STF e a aplicação de medidas cautelares
O pedido de liberdade foi apreciado e deferido na sexta-feira, dia 10 de julho de 2026, pelo Supremo Tribunal Federal. No parecer emitido, o ministro relator considerou cabível a concessão da soltura mediante a aplicação de restrições severas, haja vista que o flagrante decorreu do desdobramento de uma medida de busca e apreensão e o réu possui residência fixa no estado do Rio de Janeiro.
Com a expedição do alvará, Marcelo Canella é solto, contudo, ficou determinada a obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica para monitoramento por radares e a retenção imediata de seu passaporte pela Polícia Federal. Além disso, o direito ao porte de qualquer outra modalidade de armamento foi temporariamente suspenso pela Suprema Corte enquanto perdurarem as investigações criminais.
Contexto da Operação Unha e Carne e desdobramentos políticos
A ofensiva em que o ex-prefeito foi inserido tem como escopo desarticular um robusto esquema financeiro estruturado para ocultar capitais oriundos de atividades ilícitas, utilizando uma extensa rede de postos de combustíveis operantes em diversas cidades do estado do Rio de Janeiro. De acordo com dados oficiais fornecidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) às autoridades federais, o grupo movimentou cifras estimadas em R$ 7,6 bilhões ao longo de um período de seis anos.
A defesa do ex-prefeito de Belford Roxo emitiu nota oficial afirmando que o fuzil de calibre restrito apreendido não pertencia ao político, mas sim a um agente de segurança pública devidamente corporativo que realizava a proteção pessoal de sua integridade física. No plano político local, o caso reverbera de forma expressiva, uma vez que o investigado havia renunciado ao cargo no Executivo municipal em abril de 2026 com o objetivo de estruturar sua pré-candidatura ao Senado Federal nas eleições programadas para o corrente ano.