Por Sub Oliveira
Senador rompe o silêncio após vazamento de áudio envolvendo milhões para filme biográfico
O envolvimento direto do senador Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi alvo de esclarecimentos oficiais nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, após a divulgação de áudios que sugerem uma cobrança de R$ 134 milhões. A polêmica, que domina as redes sociais, gira em torno do financiamento da obra cinematográfica "Dark Horse", que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em vídeo publicado em seus perfis digitais, o parlamentar defendeu a legalidade das transações, classificando o episódio como uma busca legítima por investidores privados para um projeto cultural sem o uso de verbas públicas.
A dinâmica das negociações financeiras
De acordo com as investigações e o material obtido pelo portal Intercept Brasil, o contato entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro teria sido intensificado em novembro de 2025, pouco antes da prisão do ex-banqueiro. No áudio vazado, o senador refere-se ao empresário como "irmão" e solicita uma "luz" sobre os repasses financeiros. Foi esclarecido pelo senador que a quantia de R$ 134 milhões — equivalente a cerca de 24 milhões de dólares — era destinada exclusivamente à produção do filme.
Estima-se que aproximadamente R$ 61 milhões já tivessem sido transferidos em seis operações entre fevereiro e maio de 2025. Segundo a defesa do parlamentar, as mensagens de cobrança foram motivadas pela interrupção dos pagamentos contratuais por parte de Daniel Vorcaro, o que estaria ameaçando a conclusão da obra cinematográfica. "O que existe é um filho buscando capital privado para homenagear o pai", afirmou o senador em sua nota de esclarecimento, tentando afastar suspeitas de tráfico de influência ou irregularidades junto ao Banco Master.
Impacto político e desdobramentos jurídicos
O caso ganha contornos mais graves devido ao momento em que as mensagens foram trocadas. O apoio foi solicitado em um período próximo à liquidação da instituição financeira de Daniel Vorcaro pelo Banco Central. Na capital federal, o assunto provocou reações imediatas; o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), já teria recebido os arquivos para análise, enquanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) avalia se houve qualquer contrapartida política oferecida pelo senador em troca do patrocínio.
A repercussão nas redes sociais tem sido intensa, com a oposição exigindo a abertura de uma CPI para investigar as relações entre a família Bolsonaro e o sistema financeiro. Por outro lado, aliados do senador sustentam que não há crime em captar recursos privados para produções artísticas. A obra "Dark Horse", segundo Flávio Bolsonaro, já estaria finalizada e pronta para ser exibida nos cinemas brasileiros ainda no segundo semestre de 2026, independentemente dos imbróglios judiciais enfrentados pelo seu principal financiador.