Em abordagem espontânea no Centro do Rio, oficial da PMERJ humaniza a segurança pública e compartilha trajetória de 25 anos de carreira, especializações no Direito e superação pessoal
A Tenente-Coronel PM Thaise Feliciano Charles, oficial de destaque da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), foi entrevistada de forma espontânea na manhã deste sábado, 30 de maio de 2026, em uma das vias mais movimentadas do Centro do Rio de Janeiro. A abordagem foi realizada esporadicamente pelo jornalista Chico Regueira para o tradicional e aclamado quadro das cadeirinhas da TV Globo, que busca extrair relatos profundos de cidadãos em meio à correria urbana.
Durante o diálogo, que uniu muita responsabilidade institucional a uma simpatia contagiante, a trajetória de 25 anos de serviço na corporação foi relembrada pela militar. A sua jornada na caserna foi iniciada quando ela tinha apenas 18 anos de idade, ao ser aprovada no rigoroso concurso para a Academia de Polícia Militar D. João VI, localizada em Jardim Sulacap, no ano de 2001. O perfil humanizado dos profissionais de segurança pública foi fortemente evidenciado ao longo de toda a transmissão, desmistificando estereótipos e revelando os bastidores da vida de quem jura defender a sociedade mesmo com o sacrifício da própria vida.
O espírito aventureiro e os desafios de uma carreira operacional
O ingresso nas fileiras da corporação foi motivado por um forte espírito aventureiro, característica muito comum aos jovens que buscam desafios e caminhos dinâmicos no início da vida adulta. O fato de não haver nenhum outro policial na família não se tornou um obstáculo para a jovem, que encontrou na vocação de servir e proteger o seu verdadeiro propósito de vida. Ao longo de duas décadas e meia, inúmeras experiências operacionais e administrativas foram acumuladas pela oficial, permitindo que momentos muito especiais fossem vivenciados no socorro e auxílio direto a cidadãos em situação de vulnerabilidade.
Momentos de extrema apreensão também foram enfrentados pela militar no exercício de suas funções na segurança pública. Ao ser indagada pelo jornalista Chico Regueira sobre o episódio que mais a teria marcado emocionalmente na carreira, um acompanhamento complexo de um sequestro-relâmpago foi relatado pela entrevistada. Toda a negociação tática foi monitorada de perto por ela até que a entrega da vítima fosse realizada em total segurança. Dias de intensa tensão e medo pela integridade física do cidadão foram relembrados, consolidando este caso como o de maior impacto em sua memória profissional.
Por outro lado, a beleza da profissão também foi associada por ela a atos de extrema simplicidade e profundo impacto social. O reencontro emocionante de adolescentes que haviam se perdido de seus responsáveis nas praias cariocas foi citado como um exemplo de ocorrência que traz leveza e justifica o esforço diário da farda. Para a oficial, a satisfação de devolver a tranquilidade a uma família aflita possui o mesmo valor institucional que o sucesso em grandes operações táticas de alta complexidade no combate ao crime organizado.
Maternidade, fé e a desconstrução do estigma da farda
Embora uma prontidão integral seja exigida pela profissão, visto que a oficial se declarou policial 24 horas por dia, uma mulher cheia de fé, apaixonada por viagens e que ama curtir a rotina familiar foi revelada por trás do uniforme. A influência dos pais em sua formação moral e intelectual foi detalhada com orgulho durante a entrevista. O gosto persistente pelos estudos e o hábito da leitura foram herdados de seu pai, com quem sua mãe afirma que ela se parece muito fisicamente. Em contrapartida, a determinação incansável para o trabalho e a força para correr atrás dos objetivos foram ensinamentos transmitidos por sua mãe.
"Antes da chegada do meu filho, a vida era guiada pelo imediatismo do momento, uma postura muito comum entre policiais que, por testemunharem o sofrimento humano diariamente, desconhecem o teor do dia de amanhã."
Uma transformação profunda em sua maturidade e senso de responsabilidade foi impulsionada pelo nascimento de seu filho, Marco Antônio, hoje com 14 anos de idade. A necessidade de acreditar no amanhã e de começar a edificar planos sólidos para o futuro foi despertada pela maternidade. A partir desse marco, a urgência de construir um legado estável superou o imediatismo anterior, gerando um equilíbrio fundamental entre a frieza técnica necessária para o policiamento e a sensibilidade exigida para a criação de um jovem na sociedade contemporânea.
"Antes da chegada do meu filho, a vida era guiada pelo imediatismo do momento, uma postura muito comum entre policiais que, por testemunharem o sofrimento humano diariamente, desconhecem o teor do dia de amanhã."
