Sami Youssef Hassuani projeta o reerguimento da maior empresa bélica nacional e defende que o Brasil garanta previsibilidade para o setor
A reestruturação da indústria de defesa nacional ganhou um novo capítulo estratégico neste primeiro semestre de 2026. Em um movimento decisivo para a soberania tecnológica do Brasil, o CEO da Avibras Aeroespacial, Sami Youssef Hassuani, apresentou o plano detalhado de retomada operacional da companhia. O projeto de reerguimento da maior indústria bélica da América Latina, que enfrenta um complexo processo de recuperação judicial desde 2022, baseia-se na atração de capital privado, na quitação de passivos trabalhistas e na consolidação do Estado brasileiro como cliente âncora para garantir a sustentabilidade do setor de tecnologia militar.
O resgate do portfólio estratégico
O plano de reabilitação foi desenhado por Hassuani logo após a transferência do controle da empresa para o fundo de investimentos Brasil Crédito. Entre as prioridades estabelecidas pelo executivo para a indústria de defesa, destaca-se o pagamento imediato das pendências financeiras dos cerca de 1.400 colaboradores da planta industrial localizada no Vale do Paraíba, em São Paulo. A força de trabalho especializada é considerada o ativo mais valioso para que as linhas de produção do consagrado Sistema ASTROS e dos projetos de mísseis táticos de cruzeiro sejam reativadas de forma imediata.
Para que a autonomia logística do País seja preservada, contratos de manutenção e fornecimento de peças sobressalentes começaram a ser renegociados com as Forças Armadas brasileiras e com compradores históricos do mercado internacional, especialmente no Oriente Médio e no Sudeste Asiático. A estratégia de Hassuani foca na estabilidade operacional interna para que a credibilidade externa da marca seja plenamente restabelecida no mercado global de defesa e segurança.
A visão de Estado para o setor bélico
De acordo com a análise apresentada pelo CEO, a organização da indústria de defesa no Brasil não pode ser tratada como uma política temporária de governo, mas sim como uma prioridade permanente de Estado. Hassuani, que possui histórico de liderança na Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), argumenta que o principal gargalo enfrentado pelas empresas do segmento é a oscilação nos orçamentos públicos. É defendido pelo executivo que o fomento contínuo e a previsibilidade orçamentária são os únicos caminhos viáveis para evitar crises estruturais nas empresas estratégicas.
A proposta de reorganização setorial inclui a unificação de demandas logísticas entre o Exército, a Marinha e a Força Aérea Brasileira. É apontado que a sinergia no desenvolvimento de softwares, sistemas de comunicação e inteligência estratégica reduz drasticamente o desperdício de recursos públicos e acelera a inovação tecnológica. Com essa integração, o Brasil passaria a produzir em escala, reduzindo o custo unitário dos equipamentos e tornando o produto nacional altamente competitivo nas exportações globais.
Desafios globais e geopolíticos
A urgência na consolidação da indústria de defesa é justificada pelo atual cenário geopolítico internacional, marcado por conflitos de alta intensidade e pela necessidade de proteção de infraestruturas críticas. Especialistas do setor apontam que a dependência excessiva de tecnologias importadas fragiliza a segurança nacional em momentos de crise global. Por esse motivo, a engenharia e a propriedade intelectual desenvolvidas em solo brasileiro são tratadas pela direção da Avibras como patrimônios inegociáveis.
Com o cronograma de investimentos estruturado para os próximos meses de 2026, espera-se que a fabricante bélica retome sua capacidade total de entrega, consolidando o Vale do Paraíba como o principal polo de tecnologia militar da América Latina. O sucesso do plano apresentado por Sami Youssef Hassuani é visto pelo mercado corporativo e por analistas militares como o teste definitivo para a capacidade do Brasil de proteger suas empresas estratégicas e manter o controle de sua soberania tecnológica.
Militar da reserva da Marinha do Brasil I Suboficial Fuzileiro Naval I Formado em Segurança Pública I Especialista em Segurança Pública e Privada I Membro da Comissão de Polícia Judiciária da OAB RJ