Militar alcoolizado avançou sinal vermelho em alta velocidade, matou vigilante em Campo Grande e teve pedido de liberdade negado.
A prisão de soldado do Exército Victor Vicentin Rocha, de 22 anos, foi mantida pela Justiça de Mato Grosso do Sul após o acusado cometer um crime de trânsito violento na região central de Campo Grande. A decisão judicial foi proferida pelo juiz Carlos Alberto Garcete, titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri, em despacho publicado em junho de 2026. O militar foi indiciado pelo atropelamento e morte da vigilante Miriam Rosa Matos, de 44 anos, que se deslocava de motocicleta para o trabalho na manhã do dia 20 de junho. A conversão do flagrante em prisão preventiva foi motivada pela gravidade da conduta do condutor, que dirigia sob efeito de álcool, em alta velocidade, e fugia de uma colisão anterior.
A dinâmica do acidente fatal
Por volta das 6h30, uma caminhonete Chevrolet S10 conduzida pelo militar trafegava em alta velocidade pela Rua Maracaju quando o cruzamento com a Rua Padre João Crippa foi invadido. O sinal vermelho foi desrespeitado pelo motorista no instante exato em que a motocicleta pilotada pela profissional passava pelo local.
Com o impacto extremo da colisão, a vítima foi arremessada por cerca de 50 metros, vindo a óbito imediato na via pública antes do acionamento do socorro médico. Após atingir a trabalhadora, o controle da direção foi perdido pelo condutor, que colidiu violentamente contra uma árvore e invadiu o estacionamento de uma clínica médica.
A constatação de embriaguez foi realizada logo após o motorista receber atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O teste do bafômetro indicou 0,42 mg/L de álcool no sangue, índice muito superior ao limite legal. Garrafas de bebida alcoólica foram localizadas no interior da caminhonete pela equipe da Polícia Civil. Investigações preliminares apontaram também que o acusado realizava manobras perigosas de fuga após ter raspado em outro automóvel minutos antes do sinistro definitivo.
A decisão judicial e a prisão preventiva
O pedido de liberdade provisória impetrado pela banca de defesa foi rejeitado e considerado prejudicado pelo Poder Judiciário. De acordo com o magistrado criminal, o requerimento de soltura perdeu o objeto legal por ter sido protocolado de forma antecipada à audiência de custódia. Naquela solenidade, com o devido parecer favorável emitido pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a custódia em flagrante foi convertida em internação preventiva.
Os requisitos legais para a manutenção da segregação foram considerados integralmente preenchidos, visando a garantia da ordem pública e a aplicação da lei penal. Pelo Comando Militar do Oeste (CMO), foi informado que o praça já se encontrava em período de afastamento regulamentar das funções internas para tratamento de saúde. Assim que receber alta médica definitiva decorrente das escoriações sofridas, o remanejamento do indiciado para um presídio militar estadual será executado pelas autoridades competentes.
Repercussão social e trâmite processual
A morte violenta de Miriam Rosa Matos, que residia há cerca de duas décadas em Campo Grande e era conhecida pela rotina pacífica dedicada ao trabalho, causou comoção social e debates intensos sobre a impunidade em delitos viários. O inquérito policial segue em andamento na delegacia especializada para a juntada de laudos periciais de velocidade e exames de local.
O andamento da ação penal aguarda a conclusão definitiva das investigações policiais. A defesa do réu argumentou em ata que o jovem entrou em estado de choque emocional ao tomar ciência do falecimento, contudo, o argumento não foi suficiente para abrandar o entendimento da magistratura, mantendo-se o regime fechado por tempo indeterminado.
Diante de tragédias tão devastadoras quanto evitáveis, fica evidente que o rigor das punições judiciais, embora indispensável, atua apenas no rastro de uma destruição que já se consumou. A verdadeira virada de chave para estancar essa crise reside na raiz do comportamento humano: a educação. É urgente o reforço de campanhas institucionais e comunitárias que transcendam o mero aviso legal e toquem na real valorização da vida, desmistificando a tolerância social com o consumo irresponsável de bebidas alcoólicas. Tratar a combinação de álcool e direção não como um erro de percurso, mas como uma escolha de altíssimo risco, é o único caminho pedagógico capaz de transformar a cultura do nosso trânsito e poupar famílias de lutos previsíveis.
Suboficial da Aeronáutica | Especialista em Manutenção de Aeronaves | PARA-SAR (Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento), a unidade de forças especiais da Aeronáutica | Licenciado em Matemática
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