O marco postal que colocou o país na vanguarda da comunicação global completa mais um aniversário de inovação e raridade filatélica.
O Olho de Boi foi lançado oficialmente no dia 1º de agosto de 1843, na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, transformando a história da comunicação postal das Américas. O projeto foi viabilizado pelo Diretor-Geral dos Correios da época, Cândido José de Araújo Viana, após a promulgação do Decreto Imperial nº 255, assinado por Dom Pedro II em 29 de novembro de 1842. A medida revolucionária substituiu o antigo sistema de cobrança no destino pelo pagamento prévio do transporte de correspondências. Com esse ato pioneiro, o Brasil tornou-se a segunda nação do mundo a adotar o selo postal de abrangência nacional, logo após o Reino Unido.
A confecção das matrizes e a impressão das peças foram realizadas nas instalações da Casa da Moeda do Rio de Janeiro, localizada na Praça da Aclamação (atual Praça da República), no centro do município do Rio de Janeiro, estado do Rio de Janeiro. A produção utilizou máquinas de calcografia importadas da Inglaterra e chapas gravadas à mão. A série inicial do Olho de Boi contou com três valores faciais distintos: 30 réis (para cartas locais na Corte), 60 réis (para transporte interprovincial) e 90 réis (para correspondências internacionais e volumes mais pesados).
A estética singular do Olho de Boi foi idealizada sem a estampa do rosto de Dom Pedro II, porque as autoridades postais consideraram desrespeitoso que a efígie do imperador fosse manchada pelos carimbos de cancelamento no momento da postagem. O design oval com grandes numerais centrais estampados em tinta preta acabou gerando o popular apelido filatélico. A tiragem original da série alcançou a marca de mais de 1,1 milhão de exemplares impressos em papel fino, tornando o Olho de Boi uma das preciosidades mais cobiçadas por colecionadores de todo o mundo.
A implantação do selo postal adesivo revolucionou o fluxo de notícias, dinamizou as relações comerciais e fortaleceu a integração do território nacional durante o século XIX. O sucesso da iniciativa abriu caminho para a emissão de famílias subsequentes, como as séries "Inclinados" e "Olho de Gato", consolidadas na história do desenvolvimento dos serviços postais brasileiros.
O legado do Olho de Boi permanece vivo nas coleções mantidas pelo Museu Postal dos Correios, em Brasília, e no acervo do Centro Cultural Correios, no bairro do Centro, no Rio de Janeiro. A celebração anual em 1º de agosto, instituída como o Dia do Selo Postal Brasileiro, homenageia os profissionais dos serviços postais e relembra o momento exato em que a inovação tecnológica e o design gráfico nacional ganharam destaque no cenário internacional.
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