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Homem é condenado a 25 anos por feminicídio de capitã médica

Decisão do Tribunal do Júri do Rio pune réu por matar oficial no Cachambi e tentar simular suicídio com uso de técnicas jurídicas e médicas


O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro condenou Elton Hilton Herculano de Lima a 25 anos de prisão pelo feminicídio de capitã médica do Exército, Rosângela da Silva Santos do Nascimento, de 41 anos, morta por asfixia e intoxicação exógena dentro do próprio apartamento, localizado no bairro do Cachambi, na Zona Norte do município do Rio de Janeiro. O julgamento, conduzido pela 2ª Promotoria de Justiça junto ao IV Tribunal do Júri da Capital e encerrado no final de setembro de 2026, fixou o cumprimento da pena em regime inicial fechado. Os jurados acolheram integralmente a tese da acusação e reconheceram o crime de homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel que dificultou a defesa da vítima e razões da condição do sexo feminino, mantendo a prisão preventiva do acusado.

O crime ocorreu em março de 2023, quando Elton Hilton atacou a oficial militar em sua residência no Cachambi. De acordo com os autos do processo, a motivação principal do acusado foi o inconformismo irrestrito com o término do relacionamento afetivo que mantinha com a médica, que atuava no Hospital Central do Exército (HCE).

A perícia oficial das polícias técnica e científica descartou a versão sustentada inicialmente pelo réu, que alegava ter encontrado a médica inconsciente após um ato voluntário de autoextermínio. Os exames necroscópicos apontaram que a causa do óbito foi asfixia mecânica associada a quadro de intoxicação por substâncias exógenas.

Durante as investigações e a instrução criminal, os peritos confirmaram a inexistência de marcas de picadas de agulha ou seringas na cena do crime que justificassem a hipótese de administração voluntária de medicação por parte da capitã. A constatação do médico socorrista acionado no dia do fato também foi decisiva para desarmar a farsa montada pelo agressor.

Planejamento minucioso, fraudes financeiras e simulação da cena do crime

A instrução processual revelou que Elton Hilton utilizava conhecimentos adquiridos ao longo da sua graduação em Direito para articular o planejamento da execução e a ocultação das provas materiais. À época dos fatos, o réu estagiava em uma Vara Criminal especializada no Tribunal do Júri, o que lhe permitiu usar noções do sistema de persecução penal para tentar simular a cena de um suicídio e dificultar a atuação dos peritos criminais.

Além da violência física brutal contra a vítima no ambiente doméstico, o Ministério Público demonstrou que o réu realizou diversas movimentações bancárias ilícitas da conta corrente da oficial para o seu próprio benefício financeiro, inclusive em dias que antecederam a consumação do homicídio. Ele também reuniu embalagens de medicamentos e frascos ao redor do corpo da médica para engodar os socorristas e a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.

A decisão judicial destacou a culpabilidade acentuada do réu, que atacou a vítima dentro da própria residência, local onde ela não esperava qualquer tipo de agressão, reduzindo a zero a sua possibilidade de reação ou defesa. A juíza presidente do júri manteve a custódia cautelar do condenado, que permanece preso na Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) desde setembro de 2024.

Impacto familiar devastador e rigor do Código Penal na dosimetria da pena

Na fixação da pena de 25 anos de reclusão, a magistrada enfatizou o impacto irreparável causado à família da vítima. Rosângela da Silva Santos do Nascimento era filha única e constituía o arrimo financeiro e afetivo central dos pais, ambos idosos com mais de 70 anos de idade. A perda súbita e violenta desestruturou a rede de suporte familiar e de cuidados da qual dependiam os genitores da militar.

A acusação, conduzida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, ressaltou no Plenário do Júri a relevância da firmeza institucional no combate à violência de gênero e ao feminicídio, ressaltando que o modus operandi articulado pelo réu denotou frieza e desprezo deliberado pela vida humana.

A defesa do réu não foi localizada pelos veículos de imprensa para emitir posicionamento oficial após a leitura da sentença no Fórum Central da Capital. O espaço permanece aberto para manifestações jurídicas formais das partes envolvidas.

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Bacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas  I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer |  Conselheiro de Segurança

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