Carregando...

Morte de tenente da Marinha gera investigações por divergências

Polícia Federal e Marinha apuram circunstâncias do óbito de Beatriz Fickert Santoro em alojamento militar de São Paulo.

A Polícia Federal (PF) e a Marinha do Brasil instauraram inquéritos para apurar as circunstâncias da morte de tenente da Marinha Beatriz Fickert Santoro, de 33 anos, encontrada desfalecida na manhã do dia 24 de setembro no alojamento do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), localizado na Cidade Universitária, no bairro do Butantã, zona oeste da capital paulista. O caso é tratado como morte suspeita após registros médicos e policiais apontarem graves divergências entre o relato oficial prestado pelos militares e o prontuário do Hospital Universitário da USP (HU-USP), onde a médica plantonista recusou-se a assinar a declaração de óbito por constatar que a jovem engenheira mecânica deu entrada já sem vida e com rigidez cadavérica instalada.

Contradições entre os relatos da Marinha e do hospital

A controvérsia central em torno do falecimento da segundo-tenente envolve o horário exato do óbito e o procedimento adotado para o socorro. De acordo com a nota oficial divulgada pelo Comando do 8º Distrito Naval, a militar foi localizada desacordada por colegas de farda em seu aposento funcional dentro do complexo tecnológico militar. A instituição militar informou que acionou imediatamente a equipe médica interna do centro e providenciou o transporte de emergência para a unidade hospitalar universitária mais próxima.

Entretanto, o Boletim de Ocorrência registrado no 93º Distrito Policial (Jaguaré) e as declarações prestadas aos investigadores civis apresentam um cenário distinto. A médica militar responsável pelo transporte conduziu o corpo de Beatriz até o HU-USP em uma ambulância da própria força armada. Ao dar entrada no pronto-socorro, a equipe médica de plantão identificou ausência total de sinais vitais, pupilas midriáticas e sinais clínicos evidentes de livor cadavérico, o que indica que a morte ocorreu horas antes da remoção.

Diante dos achados clínicos, a médica de plantão do hospital universitário negou a emissão do atestado de óbito, alegando falta de parâmetros para constatar a causa imediata e o momento exato do falecimento. O procedimento padrão exigiu o encaminhamento imediato do corpo ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de autópsia e exames toxicológicos.

Perícia em alojamento e apuração de fraude processual

A principal linha de investigação conduzida pela Polícia Federal busca esclarecer se a movimentação do corpo do alojamento do CTMSP para o hospital alterou a cena do ocorrido de maneira indevida. Peritos criminais analisam a possibilidade de fraude processual na cena do crime, caso fique comprovado que o local de um potencial ilícito foi modificado antes da chegada da perícia técnico-científica competente.

Como o CTMSP está situado em uma área sob jurisdição federal no campus da Universidade de São Paulo, a Polícia Federal assumiu a titularidade das investigações criminais na esfera civil, enquanto a Marinha abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar eventuais infrações disciplinares ou operacionais relativas ao socorro prestado. Os agentes já solicitaram as imagens das câmeras de segurança do complexo militar, os registros de entrada e saída de veículos na data do fato e os depoimentos de todos os militares que tiveram contato com a tenente nas 24 horas anteriores ao ocorrido.

Beatriz Fickert Santoro era engenheira mecânica formada e integrava o quadro de oficiais da Marinha, atuando em projetos do programa nuclear e tecnológico da corporação na capital paulista. Familiares e colegas prestaram depoimentos preliminares para detalhar a rotina e o estado de saúde da militar.

Próximos passos e desdobramentos periciais

Os laudos necroscópicos do IML, que devem ser concluídos nos próximos dias, serão determinantes para apontar a causa mortis, identificando se houve causas naturais, intoxicação exógena ou trauma físico. A equipe de investigação aguarda também a análise dos telefones celulares e computadores apreendidos no alojamento funcional para reconstruir as últimas interações da oficial.

A defesa da família acompanha o andamento das apurações e cobra transparência absoluta na condução de ambos os inquéritos, ressaltando a importância do esclarecimento rigoroso sobre o intervalo entre a constatação do estado de Beatriz no alojamento e o momento do registro de entrada na unidade hospitalar.

Acesse meus artigos
Bacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas  I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer |  Conselheiro de Segurança

Voltar

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem

Formulário de contato