Sigla de extrema direita alcança 14 assentos na câmara alta, atinge quórum para formar grupo parlamentar próprio e amplia pressão sobre a centro-direita e o governo Macron
A extrema direita francesa alcançou um feito inédito e histórico no último domingo (27), em Paris, ao garantir, pela primeira vez na história da República da França, a formação de um grupo parlamentar próprio no Senado Francês. Liderada pelo Reunião Nacional (RN) de Marine Le Pen e Jordan Bardella, a coalizão somou 14 parlamentares nas eleições indiretas para a renovação parcial da câmara alta.
O pleito renovou metade das 348 cadeiras do Senado francês. O sistema eleitoral indireto, composto por um colégio de mais de 75 mil "grandes eleitores" (formado majoritariamente por prefeitos, vereadores e conselheiros regionais), costumava atuar como um filtro natural contra partidos extremistas, favorecendo siglas tradicionais como Os Republicanos (Les Républicains) e o centro liberal.
Contudo, a vitória de nove senadores do RN, somada aos três eleitos em 2023 e a dois aliados da União da Direita pela República (UDR), garantiu o mínimo de 10 cadeiras exigido pelo regimento interno da Casa.
Ganho institucional e avanço na pré-campanha presidencial
Ao alcançar o número suficiente para oficializar um grupo formal, o Reunião Nacional ganha prerrogativas regimentais de alto impacto político no Parlamento francês. A partir do novo período legislativo, o partido terá direito a tempo oficial de fala nos debates, representação proporcional garantida nas comissões temáticas permanentes, prioridade na apresentação de emendas e dotação financeira própria para contratação de assessores técnicos.
A líder do RN e candidata à sucessão presidencial, Marine Le Pen, comemorou o resultado nas redes sociais.
Já o presidente nacional da sigla, Jordan Bardella, ressaltou que a presença consolidada na câmara alta encerra a narrativa dos adversários de que o partido estaria isolado nas instituições.
Mudança de hegemonia e novos desafios no Palácio do Luxemburgo
Apesar do avanço da extrema direita e da esquerda radical, a aliança de centro-direita liderada pelo presidente do Senado, Gérard Larcher, manteve a maioria relativa das cadeiras da Casa. No entanto, analistas políticos apontam que a rotina legislativa passará por fortes polarizações.
O avanço da extrema direita no Senado reduz o espaço de manobra do bloco governista do presidente Emmanuel Macron, cujo mandato termina em 2027. Historicamente visto como uma câmara de moderação e revisão institucional, o Senado agora passa a reproduzir a fragmentação e os embates ideológicos observados na Assembleia Nacional, a câmara baixa do Parlamento.
Acesse meus artigosBacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer | Conselheiro de Segurança
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