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Governo global falha na inclusão da África em conselho da ONU

Declaração de António Guterres expõe assimetria no Conselho de Segurança enquanto avanço da extrema-direita e protecionismo comercial de Donald Trump pressionam o continente africano.

A ausência de representação permanente de nações africanas no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) explicita as falhas do governo global em modernizar a governança multilateral, conforme criticado pelo secretário-geral da instituição, António Guterres, no dia 22 de setembro de 2024, na sede da entidade em Nova York, nos Estados Unidos, após forte pressão diplomática liderada pela União Africana em Adis Abeba, na Etiópia, para reverter a exclusão histórica do continente nas decisões geopolíticas decisivas do planeta. O debate ganha urgência diante do avanço de forças políticas de extrema-direita no Ocidente, da ameaça de tarifas protecionistas pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e do agravamento de guerras humanitárias negligenciadas pela cobertura midiática tradicional no Sudão e no Sahel.

A luta por assento permanente e a reforma do Conselho de Segurança

A estrutura do Conselho de Segurança da ONU, estabelecida em 1945 ao término da Segunda Guerra Mundial, mantém cinco membros permanentes com direito a veto: Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França. O continente africano, composto por 54 países e abrigando cerca de 20% da população mundial, conta apenas com assentos rotativos e sem direito a veto.

Durante a Cúpula do Futuro e a abertura do debate geral da Assembleia Geral da ONU em Nova York, o português António Guterres enfatizou que a composição atual do órgão enfraquece a autoridade moral da instituição e impede soluções efetivas para os conflitos geopolíticos contemporâneos. A União Africana, sob a liderança institucional de seu presidente em exercício, reafirma o Consenso de Ezulwini de 2005, exigindo ao menos duas vagas permanentes com poder de veto e cinco assentos não permanentes designados pelo próprio bloco regional.

A contestação sistemática do modelo atual ocorre em um momento de expansão demográfica e econômica do Sul Global. Analistas de diplomacia internacional apontam que o contínuo bloqueio a essas reformas institucionais empurra os países africanos para alianças estratégicas alternativas, enfraquecendo a diplomacia multilateral do Ocidente.

Tarifas de Donald Trump e o avanço da extrema-direita global

Paralelamente às cobranças por reforma institucional, a diplomacia africana enfrenta vetores contrários advindos das eleições norte-americanas e da consolidação de partidos conservadores e radicais na Europa. O presidente dos Estados Unidos Donald Trump reafirmou propostas de protecionismo comercial agressivo, prevendo tarifas universais de importação que variam entre 10% e 20% sobre produtos estrangeiros.

As barreiras comerciais propostas pela plataforma econômica republicana impactam diretamente o ecossistema de exportação africano, enfraquecendo acordos históricos de facilitação tarifária como o African Growth and Opportunity Act (AGOA). A aplicação de tarifas generalizadas reduz o fluxo comercial, pressiona as moedas locais e eleva os custos de financiamento de dívidas soberanas na região.

Além das barreiras econômicas, discursos políticos de tom racialista e contrários às políticas de cooperação e assistência internacional voltaram ao centro da cena geopolítica. O crescimento da extrema-direita global no parlamento europeu e na política norte-americana impõe entraves adicionais aos orçamentos de ajuda humanitária, direcionando recursos prioritariamente para a segurança interna e o controle migratório ostensivo nas fronteiras.

Conflitos no Sahel e a assimetria na cobertura internacional

Enquanto a arquitetura institucional global debate reformas, conflitos na região do Sahel e no Chifre da África passam por graves desdobramentos sociopolíticos. Em países como Mali, Burkina Faso e Níger, a instabilidade institucional culminou no encerramento de acordos militares bilaterais com nações ocidentais, a exemplo da França, abrindo margem para a influência de operações militares mercenárias e alianças de segurança com a Federação Russa.

No Sudão, a disputa armada entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido gerou uma das maiores crises territoriais de deslocamento forçado e fome no mundo. Apesar da escala humanitária devastadora, internacionalistas e lideranças locais denunciam a discrepância na atenção midiática e nos volumes de financiamento emergencial destinados pela comunidade internacional em comparação a conflitos no Leste Europeu e no Oriente Médio.

O avanço da cooperação do continente com blocos emergentes, especificamente por meio do grupo BRICS+, surge como uma alternativa pragmática de diversificação de parceiros em investimentos de infraestrutura, transição energética e exploração de recursos estratégicos como lítio, cobalto e terras raras. A reconfiguração geoeconômica posiciona o continente no centro das disputas por matérias-primas críticas no século 21.

Desafios para a soberania e financiamento internacional

O impasse financeiro das nações em desenvolvimento é amplificado pela arquitetura das agências internacionais de crédito e pela falta de reformas nas instituições criadas pelo Acordo de Bretton Woods. O custo do serviço da dívida consome parcelas significativas dos orçamentos nacionais de países vulneráveis, superando investimentos públicos essenciais em saúde, educação e infraestrutura produtiva.

A articulação multilateral em torno de mecanismos de financiamento climático e reparação por perdas e danos segue estagnada perante a falta de compromisso efetivo das economias industrializadas. Para que a governança mundial alcance eficácia, a integração da África nos espaços decisórios formais deixa de ser uma concessão diplomática e passa a figurar como pré-requisito técnico para a estabilidade geoeconômica dos mercados internacionais.

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Bacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas  I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer |  Conselheiro de Segurança

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