Presidente da Suprema Corte exige envio integral de relatórios da PF e reafirma rigor nas investigações sem exceção de pessoa
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Edson Fachin, encaminhou um ofício oficial na tarde de sexta-feira, 2 de outubro de 2026, ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, determinando o envio integral de todas as informações sobre citações a integrantes da Corte no âmbito dos inquéritos sobre o Banco Master.
A determinação da Presidência do Supremo responde diretamente a uma solicitação apresentada pela própria Polícia Federal. A cúpula da corporação havia requisitado uma audiência com a chefia do Poder Judiciário para formalizar o fluxo de entrega dos materiais apreendidos que citam nomes de ministros do tribunal.
Segundo Fachin, o objetivo central da diretriz é conciliar a prerrogativa constitucional do STF com a liberdade de atuação da polícia judiciária. Em trecho do despacho, o presidente ressaltou os limites do procedimento:
"Almeja-se que a apuração se desenvolva com estrita observância das normas constitucionais e processuais aplicáveis, preservando-se, de um lado, a autonomia das instituições responsáveis pela investigação e pela persecução penal e, de outro, as competências constitucionalmente atribuídas ao Supremo Tribunal Federal."- Luiz Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal.
Com a remessa oficial dos documentos compilados, cabe à Presidência avaliar os desdobramentos regimentais, como o eventual envio das peças à Procuradoria-Geral da República (PGR) ou a redistribuição interna dos processos.
Tensão interna e alinhamento com a Polícia Federal
A intervenção da Presidência do STF ocorre em meio a divergências públicas entre os próprios integrantes da Corte sobre o acesso e o vazamento de dados do Banco Master. Nos bastidores, a divulgação pontual de trechos extraídos de celulares e computadores de investigados gerou atritos entre magistrados que defendiam a imediata publicidade dos dados e outros que criticavam o tom seletivo das revelações.
Para pacificar o trâmite das peças, Fachin reuniu a condução administrativa do caso na Presidência e agendou um encontro presencial com a cúpula da Polícia Federal na sede do Supremo. A reunião entre o ministro Luiz Edson Fachin e o delegado Andrei Augusto Passos Rodrigues visa padronizar a cadeia de custódia das provas digitais e definir os parâmetros formais para o envio das análises de inteligência policial à Procuradoria-Geral da República.
A corporação e a Procuradoria-Geral da República pretendem concluir a triagem das menções nos próximos dias, separando citações genéricas de indícios concretos que exijam a abertura formal de inquéritos individuais.
Origem do caso e desdobramentos no Supremo
As investigações do Caso Master ganharam tração no STF após a apreensão de dispositivos eletrônicos de executivos e ex-sócios do banco, incluindo o empresário Daniel Vorcaro. As análises de mensagens, planilhas e contratos revelaram menções a agendas formais, viagens, repasses e intermediações citando nomes de magistrados, familiares e intermediários.
Anteriormente, o relator sorteado para os procedimentos derivados da apuração, ministro André Luiz de Almeida Mendonça, atendeu a pedidos da Presidência e levantou o sigilo de diversos procedimentos vinculados ao processo. A decisão liberou a extração de cópias integrais dos autos em suporte digital para consulta de todos os gabinetes do Supremo.
A determinação de Fachin consolida a postura da Corte de centralizar o recebimento dos relatórios na Presidência antes de qualquer deliberação de plenário ou envio a órgãos fiscais, mantendo a autonomia da Polícia Federal para investigar sem restrições preliminares.
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