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Tecnologia submarina russa e transferências estratégicas para a China corroem vantagem dos EUA no Pacífico

Relatório revela que troca de segredos acústicos entre Moscou e Pequim, além de exercícios conjuntos sem precedentes, ameaça a hegemonia antissubmarino dos EUA e aliados no Indo-Pacífico

Por Carlos Alvarenga
zonadedefesabr@gmail.com

A tecnologia submarina russa e a realização de exercícios integrados de alta sensibilidade entre as Forças Armadas de Moscou e Pequim atingiram um novo patamar estratégico na área de guerra subaquática, corroendo diretamente a histórica vantagem militar dos Estados Unidos e de seus aliados no Indo-Pacífico. Investigações e relatórios de inteligência, com destaque para levantamento publicado pela organização de pesquisa Center for Advanced Defence Studies (C4ADS), revelaram detalhes sobre a transferência contínua de segredos militares do consagrado gabinete de engenharia Rubin Central Design Bureau for Marine Engineering para a agência de compras militares da China e para a estatal China Shipbuilding and Offshore International Co. (CSOC/CSOI). A cooperação bilateral abrange desde projetos conceituais para embarcações convencionais e nucleares até a exposição inédita de assinaturas acústicas secretas em exercícios conjuntos realizados em alto-mar.

O canal de fornecimento do Rubin Bureau e a mitigação da cavitação acústica

Entre agosto de 2015 e abril de 2023, o Rubin Central Design Bureau for Marine Engineering realizou pelo menos 12 remessas estratégicas direcionadas à agência de compras chinesa e à estatal CSOC/CSOI. As transações somadas ultrapassaram o montante de US$ 80 milhões.

Os pacotes tecnológicos transferidos no período incluíram projetos conceituais completos para submarinos não nucleares (convencionais), novos sistemas de propulsão, arquitetura automatizada para comando e controle de armas e design estrutural de cascos.

Paralelamente ao foco nas embarcações diesel-elétricas, documentos datados de outubro de 2019 e janeiro de 2020 detalham a execução de testes conjuntos projetados para avaliar e mitigar a cavitação hidrodinâmica. A cavitação é o fenômeno físico caracterizado pelo surgimento e colapso de bolhas de vapor devido à rotação acelerada do hélice, gerando ruídos e vibrações que denunciam a posição do submersível.

Especialistas militares apontam que engenheiros russos ajudaram a testar e refinar de forma direta a eficácia das tecnologias chinesas de redução de ruído. Além disso, dados oficiais do governo dos EUA indicam que o programa de submarinos nucleares de Pequim continua a receber assistência técnica significativa de Moscou, focada estritamente no aperfeiçoamento da camuflagem acústica e no desenvolvimento de sistemas de propulsão ultrassilenciosos.

A contrapartida chinesa e o suporte ao complexo industrial russo

A transferência tecnológica estabeleceu um modelo transacional de via de mão dupla, intensificado de forma decisiva a partir das sanções econômicas impostas pelo Ocidente após o início do conflito na Ucrânia.

No período de dezembro de 2019 a setembro de 2022, a China, por meio da estatal CSOI, forneceu à Rússia materiais de alta tecnologia, componentes eletrônicos essenciais e consoles de controle cruciais para o desenvolvimento e teste dos sistemas digitais de informação da frota russa.

Alertas emitidos por autoridades do Pentágono revelam a dimensão da dependência de Moscou em relação à infraestrutura industrial chinesa: Pequim apoia a base militar de defesa da Rússia fornecendo cerca de 70% do maquinário industrial e aproximadamente 90% dos microchips legados utilizados pelos russos para recompor e rearmar seu poder bélico.

Integração operacional inédita no exercício Joint Sea de 2026

Além da troca técnica no setor fabril, as marinhas dos dois países romperam barreiras históricas de desconfiança mútua no ambiente marítimo ao realizar manobras operacionais de altíssima complexidade.

Durante a edição do exercício conjunto Joint Sea, realizada em julho de 2026, as marinhas russa e chinesa operaram submarinos integrados no mar de forma totalmente inédita. A simulação tática contou com a navegação conjunta e coordenada do submarino chinês Type 039B ao lado do submarino russo da classe Kilo (Ufa).

"Manobras integradas desse porte exigiram o compartilhamento mútuo de dados de comunicação subaquática e a exposição direta de suas respectivas assinaturas acústicas classificadas, que representam o dado mais protegido e secreto de qualquer força submarina no mundo", destacaram analistas navais ao avaliar o impacto dos testes.

A integração entre as forças também se consolidou por meio de patrulhas de combate submarinas coordenadas de longa distância. As operações executadas cobriram o Mar do Japão e o Mar da China Oriental, projetando o alcance das frotas combinadas até áreas estratégicas do Oceano Pacífico.

Mudança no equilíbrio de poder naval no Pacífico Ocidental

Historicamente, os Estados Unidos e aliados regionais, como Japão e Austrália, mantiveram ampla vantagem estratégica no ambiente subaquático. Esse cenário sustentava-se nos elevados níveis de ruído emitidos pelos submarinos fabricados pela China, que facilitavam a rápida detecção por redes de sonares norte-americanas.

A fusão entre a massiva capacidade fabril da indústria naval chinesa , atual líder global do setor da construção naval, e o histórico conhecimento técnico russo em acústica furtiva altera rapidamente o equilíbrio de forças no Pacífico.

Diante do avanço no stealth naval da frota combinada, os EUA e seus parceiros do Indo-Pacífico enfrentam pressão para acelerar investimentos bilionários em novas defesas antissubmarino integradas com inteligência artificial e sensores de sonares de baixa frequência.

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Bacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas  I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer |  Conselheiro de Segurança 
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