F-5M da FAB: Bastidores apontam nova reestruturação

Força Aérea Brasileira avalia desativação de um dos esquadrões de F-5M para otimizar transição logística para os caças F-39 Gripen.


Uma importante mudança na estrutura da aviação de caça na Força Aérea Brasileira está sendo debatida nos bastidores do Alto-Comando da Aeronáutica (COMAER). Em reuniões estratégicas realizadas no primeiro semestre de 2026, em Brasília (DF), oficiais-generais avaliam a viabilidade técnica e financeira para que seja decretada a desativação antecipada de um dos esquadrões que operam as aeronaves de combate F-5M da FAB. A medida, estruturada sob critérios de racionalização de recursos, visa concentrar o inventário de células operacionais remanescentes para garantir a sustentabilidade logística da frota e acelerar a conversão operacional de pilotos e mantenedores para o novo vetor supersônico do país, o F-39 Gripen.

Transição estratégica e suportabilidade no PAMA-SP

O planejamento doutrinário para o encerramento gradual da vida útil do Northrop F-5 Tiger II modernizado já estava previsto nas diretrizes de longo prazo do Comando da Aeronáutica, porém, o ritmo de recebimento dos novos vetores operados a partir da Base Aérea de Anápolis (GO) forçou uma readequação do cronograma. O processo de manutenção de nível parque, centralizado no Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA-SP), tem enfrentado desafios naturais decorrentes da escassez global de componentes e do custo crescente para a sustentabilidade de uma plataforma com cinco décadas de operação contínua.

Por meio de análises orçamentárias detalhadas conduzidas pelo Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER), foi verificado que a manutenção de quatro esquadrões ativos dedicados exclusivamente ao F-5M da FAB fragmenta o estoque de peças sobressalentes e eleva os custos de custeio. Com a desativação programada de uma das unidades, as células de aeronaves que ainda possuem horas de voo disponíveis serão redistribuídas, permitindo o que os especialistas chamam de canibalização controlada e estendendo a prontidão operacional dos esquadrões remanescentes até a substituição definitiva planejada para os próximos anos.

O Tabuleiro das Bases Aéreas e impactos nas fronteiras

Atualmente, o ecossistema de defesa aérea composto pelo F-5M da FAB está distribuído em três pontos estratégicos do território nacional. Na Base Aérea de Santa Cruz, localizada na Zona Oeste do Rio de Janeiro (RJ), operam de forma conjunta o Primeiro Esquadrão do Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º/1º GAVCA - Esquadrão Jambock) e o Segundo Esquadrão do Primeiro Grupo de Aviação de Caça (2º/1º GAVCA - Esquadrão Pampa). Na Região Sul, a soberania do espaço aéreo é resguardada pelo Primeiro Esquadrão do Décimo Quarto Grupo de Aviação (1º/14º GAV - Esquadrão Pampa), sediado na Base Aérea de Canoas (RS). Já o flanco setentrional e a Amazônia Ocidental contam com a cobertura do Primeiro Esquadrão do Quarto Grupo de Aviação (1º/4º GAV - Esquadrão Pacau), operando a partir da Base Aérea de Manaus (AM).

Conforme fontes ligadas ao Ministério da Defesa, a análise geográfica indica que o fechamento ou a transferência de status operacional das unidades baseadas nas extremidades do país traria sérios riscos geopolíticos. A retirada dos jatos supersônicos de Manaus (AM) deixaria a Amazônia vulnerável ao tráfego aéreo ilícito e reduziria o poder de dissuasão em uma área de fronteira considerada prioritária na Estratégia Nacional de Defesa. Da mesma forma, a desativação da unidade em Canoas (RS) comprometeria o tempo de reação (scramble) no Cone Sul em um período em que a cooperação e a vigilância regional demandam presença constante das Forças Armadas.

Diante dessas condicionantes, o cenário que desponta com maior probabilidade nos estudos do COMAER é a unificação das operações na Base Aérea de Santa Cruz (RJ). A fusão administrativa das linhas de voo do Jambock e do Pampa fluminense permitiria enxugar a estrutura de comando, concentrar o pessoal de apoio técnico de terra e unificar a gestão de suprimentos sem que o Rio de Janeiro perdesse a sua capacidade de pronta resposta aeroespacial. Os militares liberados dessa reestruturação seriam imediatamente integrados aos programas de capacitação e transição doutrinária voltados ao F-39 Gripen, otimizando o aproveitamento dos recursos humanos qualificados da instituição.

A desativação de uma unidade aérea não representa uma perda isolada de capacidade, mas sim uma manobra logística necessária para assegurar que os recursos orçamentários sejam direcionados para a consolidação da aviação de caça de quinta geração no Brasil.


Próximos passos logísticos e homologação

A validação final desta reestruturação depende da aprovação do Orçamento de Defesa para o próximo ciclo e do cumprimento do cronograma de entregas das novas aeronaves por parte do consórcio formado pela Saab e pela Embraer. Enquanto as decisões políticas e estratégicas são formalizadas na Chefia do Executivo e no Alto-Comando, os exercícios operacionais previstos para o ano de 2026 continuam a ser executados normalmente, garantindo que o F-5M da FAB mantenha os seus índices de disponibilidade para a segurança e a integridade do espaço aéreo brasileiro até que o último tigre encerre oficialmente o seu ciclo de serviços prestados à nação.

Acesse os artigos do nosso colunista
Voltar

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem
Zona de Defesa

Formulário de contato