Marcelo da Cruz Silva e Edivan Felipe de Assis foram baleados por policiais militares na comunidade do Jardim Catarina após ferramentas serem confundidas com armas.
A trágica morte de pedreiros em São Gonçalo foi registrada na manhã desta quarta-feira, dia 27 de maio de 2026, durante uma ação da Polícia Militar no bairro Jardim Catarina, situado na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. As vítimas, identificadas como Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, e Edivan Felipe de Assis, de 46 anos, foram alvejadas por disparos de arma de fogo efetuados por agentes do 7º BPM quando se deslocavam em uma motocicleta para o trabalho. De acordo com o relato de moradores e testemunhas que presenciaram o ocorrido, as ferramentas de trabalho e as marmitas carregadas pelos profissionais teriam sido tragicamente confundidas com armamentos pelos policiais.
Circunstâncias do caso e indignação popular
O crime foi cometido por volta das 7h na Avenida Doutor Albino Imparato, a principal via do bairro, exatamente em frente a um templo da Igreja Universal do Reino de Deus. Imagens gravadas por celulares e compartilhadas nas redes sociais mostram os corpos estendidos no chão, cercados por moradores revoltados e pelos próprios policiais. Em decorrência do crime, um clima de extrema tensão foi instaurado na localidade, culminando em intensos protestos populares com o bloqueio de importantes vias expressas da região, como a BR-101 e a RJ-104.
Segundo declarações dadas ao telejornal RJTV 1 pela porta-voz da corporação, a tenente-coronel Cláudia Moraes, a presença dos militares na localidade de Ipuca justificava-se pelo oferecimento de apoio operacional a funcionários de uma empresa de telefonia. A dinâmica exata dos disparos e o que motivou a reação dos agentes deverão ser determinados após a realização de uma perícia técnica minuciosa.
Investigação, afastamento e cobrança por justiça
Um procedimento apuratório foi instaurado imediatamente pelo comando da Polícia Militar para que todas as responsabilidades sejam devidamente esclarecidas. Foi confirmado pela corporação que os armamentos dos agentes foram apreendidos e que as câmeras corporais dos uniformes serão analisadas. Os policiais militares envolvidos no episódio foram preventivamente afastados das atividades nas ruas e encaminhados para prestar depoimentos na DHNSG (Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí), órgão da Polícia Civil responsável pela condução do inquérito criminal.
A perda brutal dos trabalhadores comoveu a sociedade civil e acendeu, mais uma vez, o debate sobre os protocolos adotados em operações em áreas periféricas. Notas oficiais foram emitidas pela instituição militar lamentando as mortes e prometendo total colaboração com a justiça, enquanto familiares e amigos exigem que a memória de Marcelo e Edivan seja respeitada e que os culpados sofram as devidas sanções legais pelo ato que ceifou a vida de dois inocentes a caminho do sustento familiar.