Com arma institucional de marido policial, militar atira em empresário que tentou intervir em discussão de casal
Uma celebração familiar terminou em tragédia na madrugada do último domingo, 24 de maio de 2026. O empresário Davidson Vasconcellos de Matteo Silva, de 37 anos, foi assassinado a tiros no bairro do Campinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O crime foi cometido por sua amiga de infância, a sargento da Marinha Tayana Rangel Cardeal, de 36 anos, que utilizou a arma de fogo corporativa de seu marido — um policial militar lotado no 3º BPM (Méier) cujo nome é mantido em sigilo pelas investigações — após a vítima tentar intervir em uma briga do casal.
O homicídio foi registrado por volta das 4h da manhã, em um salão de festas localizado na Rua Domingos Lopes, onde ocorria uma festa de debutante. De acordo com os relatos de testemunhas e o registro da Polícia Militar, uma discussão ríspida foi iniciada entre a sargento da Marinha e seu esposo. Diante do desentendimento conjugal, Davidson, que era compadre dos envolvidos, aproximou-se com o objetivo de acalmar os ânimos e separar o confronto verbal.
Conforme as investigações conduzidas pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), a desavença foi temporariamente interrompida quando a agressora se dirigiu ao estacionamento do estabelecimento. A chave do automóvel do casal foi retirada de sua própria bolsa pela sargento da Marinha, que acessou o interior do veículo e apropriou-se da pistola calibre .40 pertencente à carga institucional da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), acautelada para o uso de seu marido, sem que o agente de segurança pública percebesse a ação.
O retorno e a execução no salão
Armada com o armamento institucional do cônjuge, o retorno de Tayana ao interior do salão de festas foi efetuado de forma abrupta. Sem que houvesse chance de defesa para a vítima, um disparo foi efetuado à queima-roupa contra o rosto de Davidson. O óbito do empresário automotivo foi constatado ainda no local pelos serviços de emergência, sob o testemunho de familiares, incluindo a esposa e as filhas da vítima.
A prisão em flagrante da sargento da Marinha foi efetuada por policiais militares do 9º BPM (Rocha Miranda), acionados logo após os disparos. A pistola da PMERJ foi apreendida para perícia e a acusada foi conduzida à sede da especializada, onde o caso foi formalmente registrado. O marido da militar foi ouvido pelas autoridades na condição de testemunha do fato.
Investigação e posicionamento institucional
O procedimento investigativo está sendo capitaneado pela DHC, que busca esclarecer se a motivação do crime foi estritamente o descontentamento da autora com a intervenção da vítima ou se havia desavenças prévias. Paralelamente, um procedimento administrativo interno foi instaurado pela Polícia Militar para apurar as circunstâncias em que a arma institucional foi acessada por terceiros no interior do veículo.
Em nota oficial emitida à imprensa, a Marinha do Brasil lamentou profundamente o ocorrido e informou que a conduta da militar desrespeita frontalmente os valores e os princípios da corporação. Foi reiterado pela força naval que a sargento da Marinha encontra-se presa e sob total disposição das autoridades policiais civis para a devida persecução penal.
O sepultamento de Davidson foi marcado por forte clamor por justiça por parte de moradores da Zona Norte. O episódio gerou grande comoção nas redes sociais, onde a atuação de lideranças locais em segurança pública e os protocolos de custódia de armas de fogo voltaram a ser amplamente debatidos pela população do Rio de Janeiro. O caso segue sob acompanhamento jurídico e a manutenção da prisão preventiva da ré será avaliada pelo Poder Judiciário.