Custo Brasil do crime drena R$ 107 bi da indústria

Levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria revela o impacto devastador da violência e do mercado ilegal na competitividade do setor produtivo nacional

Infográfico sobre o custo Brasil do crime na indústria. No topo, um gráfico de pizza mostra a divisão do prejuízo anual de 107,9 bilhões de reais: 68,8 bilhões em prevenção e segurança e 39,1 bilhões em prejuízos diretos. Abaixo, três seções detalham os gargalos: o roubo de cargas afetando 32% das empresas; a realidade do Rio de Janeiro com perdas de 314 milhões de reais e 8 caminhões atacados por dia; e o impacto nos pequenos negócios com furtos e concorrência desleal. Na base, são listadas consequências e soluções como inteligência estratégica e fiscalização nas fronteiras.
Infográfico detalha o impacto do custo Brasil do crime, evidenciando o peso da segurança privada e o prejuízo com o roubo de cargas no país. Fonte: Dados da CNI e Firjan (2026).

Rio de Janeiro – Um prejuízo anual de R$ 107,9 bilhões é causado ao setor produtivo nacional pelo custo Brasil do crime, conforme dados revelados pela pesquisa inédita Sondagem Especial Brasil Legal. O levantamento foi realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) entre os dias 3 e 12 de novembro de 2025 e divulgado oficialmente no final de maio de 2026. O estudo, que contou com a participação de 1.398 empresas de 32 setores industriais de pequeno, médio e grande porte de todo o país, joga luz sobre como a violência, o contrabando e a falta de segurança pública drenam recursos vitais da economia brasileira. Constatou-se que um terço das indústrias nacionais foi severamente afetada por atos ilícitos ao longo dos últimos dois anos.

O peso financeiro da insegurança privada

Por meio do relatório técnico, foi evidenciado que o montante totalizado de R$ 107,9 bilhões representa cerca de 0,6% de toda a receita líquida gerada pela indústria extrativa e de transformação no país. O rombo bilionário é dividido em duas grandes frentes operacionais pelas organizações criminosas.

A primeira frente diz respeito aos investimentos compulsórios em prevenção e segurança privada, que alcançaram a cifra de R$ 68,8 bilhões. Esses recursos foram consumidos pela contratação de vigilância patrimonial, monitoramento eletrônico de instalações, escoltas armadas para caminhões, blindagem de frotas logísticas, além de apólices de seguros significativamente mais caras e robustas barreiras de segurança cibernética.

A segunda vertente do prejuízo engloba as perdas materiais e os danos diretos provocados pelas quadrilhas, calculados em R$ 39,1 bilhões. Esse valor bilionário é composto por ocorrências sistemáticas de roubo de cargas, furtos de maquinários e insumos industriais dentro das fábricas, pirataria, fraudes operacionais (como ligações clandestinas de energia elétrica) e a concorrência asfixiante do contrabando. De acordo com o superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, o custo Brasil do crime opera como um verdadeiro imposto invisível que sabota investimentos fundamentais em tecnologia e geração de novos postos de trabalho.

O vilão logístico das estradas nacionais

O escoamento da produção nacional é apontado pelas empresas como o gargalo mais crítico do sistema de distribuição atual. O roubo de cargas foi classificado como a maior ameaça por 32% dos empreendimentos industriais afetados pelas atividades criminosas.

A realidade mais alarmante do país é vivida no Estado do Rio de Janeiro. Segundo dados correlatos divulgados pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), um prejuízo estimado em R$ 314 milhões foi registrado no território fluminense somente no ano de 2025 devido ao roubo de cargas. Pelas forças policiais e relatórios rodoviários da região metropolitana, foi monitorada uma média impressionante de oito caminhões atacados por dia em importantes vias logísticas locais, a exemplo da Rodovia Presidente Dutra e da Avenida Brasil. Esse cenário hostil faz com que a lucratividade das transportadoras seja corroída pelas altas taxas alfandegárias informais impostas pelas facções.

Pequenos negócios sofrem asfixia mercadológica

Embora os crimes de grande escala nas estradas atinjam preferencialmente as frotas de médias e grandes corporações, as pequenas indústrias enfrentam uma vulnerabilidade proporcionalmente mais severa. O impacto negativo gerado pela criminalidade sobre a receita líquida anual representa 0,6% nas pequenas empresas, 0,8% nas médias e 0,4% nas grandes indústrias brasileiras.

A asfixia dos pequenos empreendimentos é motivada por furtos frequentes de fiação elétrica e invasões de fábricas localizadas em áreas periféricas urbanas. Além disso, uma devastadora perda de participação de mercado é enfrentada por 30% das indústrias afetadas, as quais perdem clientes diretamente para mercadorias piratas e contrabandeadas que entram no comércio varejista sem o recolhimento de impostos. Pelo setor produtivo de menor porte, que opera com margens de fluxo de caixa restritas, os impactos da concorrência ilegal são sentidos com extrema rapidez e gravidade.

O clamor por inteligência estratégica e fiscalização

Medidas urgentes de enfrentamento ao mercado ilegal são exigidas pelos empresários brasileiros para restabelecer a soberania econômica nas fronteiras e eixos rodoviários. Conforme o levantamento da CNI, o aumento do policiamento ostensivo e o investimento em ações coordenadas de inteligência e segurança são defendidos por 48% e 46% dos entrevistados, respectivamente. O endurecimento da legislação penal vigente também foi apoiado por 36% dos industriais ouvidos.

Por analistas econômicos e lideranças do setor de combustíveis, bebidas, cigarros e eletroeletrônicos, é reiterado que o espaço de manobra do crime organizado só será contido por meio do sufocamento financeiro das cadeias de receptação de produtos roubados. A redução do custo Brasil do crime é apontada como a principal linha de defesa estrutural para resgatar a competitividade e garantir a segurança jurídica indispensável ao crescimento sustentável do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil nos próximos anos.

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