Força Terrestre avalia munições vagantes nacionais no CAEx para revolucionar a doutrina de combate e fortalecer a segurança nacional
O uso de drones de ataque foi testado pelo Exército Brasileiro entre o final de junho e o início de julho de 2026, em uma operação inédita de pré-qualificação realizada no Centro de Avaliações do Exército (CAEx), localizado na Restinga da Marambaia, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A atividade, coordenada pela Diretoria de Fabricação (DF), teve como propósito central a avaliação técnica e operacional de Sistemas de Munições Remotamente Pilotadas (SMRP) e Drones Lançadores de Munição (DLM). A iniciativa visa alinhar as capacidades estratégicas da Força Terrestre às exigências dos conflitos contemporâneos e às metas de modernização do Programa Estratégico Força 40.
A necessidade de nacionalização dessas tecnologias é fundamentada pela urgência de garantir a soberania tecnológica e a autonomia logística do país. O ambiente geopolítico atual, moldado pelas lições da Guerra da Ucrânia, demonstrou que a dependência de fornecedores estrangeiros para sistemas aéreos não tripulados representa uma vulnerabilidade estratégica crônica. Ao estimular o desenvolvimento de munições vagantes pela Base Industrial de Defesa (BID), o Exército busca não apenas reduzir custos de importação — estimados em dezenas de milhões de reais —, mas também assegurar que o Brasil possua o domínio completo do ciclo de desenvolvimento de armas inteligentes de alta precisão.
Da triagem ao terreno: O funil da inovação Militar
O processo de seleção foi iniciado com a inscrição de 84 sistemas propostos por empresas nacionais e consórcios tecnológicos. Após rigorosa análise documental e de engenharia teórica pela Diretoria de Fabricação, um grupo de 32 sistemas foi selecionado para os ensaios de campo na Restinga da Marambaia. Na fase final das avaliações práticas, apenas sete sistemas obtiveram a qualificação preliminar necessária para a realização de testes com carga explosiva real, evidenciando o alto nível de exigência imposto pelos avaliadores militares.
Os testes de fogo no CAEx foram estruturados para simular cenários reais de combate tático. Os drones de ataque foram submetidos a trajetórias de voo de aproximadamente 1,5 quilômetro a partir da linha de controle, com a missão de detectar, rastrear e colidir contra alvos estáticos, representados por carcaças de veículos blindados. Ensaios específicos também foram conduzidos para avaliar a resistência dos sistemas de orientação contra medidas de guerra eletrônica, como a interferência de sinais de GPS, simulando ambientes de alta contestação tecnológica.
Desafios técnicos e o caminho para 2027
Embora a campanha tenha sido classificada como um marco histórico pela Força Terrestre, falhas relacionadas à maturidade tecnológica dos protótipos foram registradas durante as detonações. Episódios isolados de perda de link de comunicação entre os operadores e as aeronaves, além de falhas no acionamento da carga explosiva no momento do impacto, foram observados pelas equipes de engenharia militar. Tais intercorrências são descritas pela Diretoria de Fabricação como normais e esperadas em projetos de alta complexidade em estágio de desenvolvimento.
Como desdobramento imediato dos testes na Zona Oeste do Rio de Janeiro, acordos de cooperação técnica serão firmados entre o Exército Brasileiro e as empresas que demonstraram os melhores índices de desempenho. Um cronograma de refinamento industrial foi estabelecido para os próximos seis meses, com foco na correção de vulnerabilidades de software e na melhoria dos sistemas de espoleta das munições vagantes. Uma nova rodada de testes de homologação e validação de fogo real já está planejada para ser executada no CAEx no primeiro bimestre de 2027.
Militar da reserva da Marinha do Brasil I Suboficial Fuzileiro Naval I Formado em Segurança Pública I Especialista em Segurança Pública e Privada I Membro da Comissão de Polícia Judiciária da OAB RJ