O lendário AH-2 Sabre, conhecido como "Crocodilo", é destinado ao acervo do Museu Aeroespacial Paulista após marcar a história da defesa nacional
A trajetória operacional do "Crocodilo" na Amazônia
A introdução dessa capacidade inédita no Brasil foi iniciada no ano de 2008, período em que um contrato de aquisição de 12 unidades foi firmado entre o governo brasileiro e a exportadora estatal russa Rosoboronexport. Os vetores foram baseados na Base Aérea de Porto Velho, em Rondônia, onde passaram a ser operados pelo Segundo Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (2º/8º GAv) — o Esquadrão Poti. Pelos militares daquela unidade, o potente helicóptero de ataque da FAB foi apelidado de “Crocodilo”, em alusão direta à sua silhueta robusta, grande poder de fogo e camuflagem adaptada ao ambiente de selva.Durante cerca de 12 anos de atividade contínua na região amazônica, missões complexas de patrulhamento de fronteiras, repressão a ilícitos transnacionais e apoio aéreo aproximado foram conduzidas pelo Esquadrão Poti. A frota de AH-2 Sabre foi projetada com blindagem pesada de titânio e aço, capacidade de transporte de até oito soldados equipados e um arsenal composto por um canhão móvel de 23 mm GSh-23L, além de foguetes não guiados e mísseis ar-superfície Ataka. A soberania do espaço aéreo setentrional foi defendida por essas plataformas até o anúncio de sua aposentadoria prematura.
Os motivos da desativação prematura em 2022
O encerramento definitivo das operações com o modelo foi determinado pela Força Aérea Brasileira em decorrência de graves entraves logísticos e de manutenção sustentada. A cadeia de suprimentos russa foi severamente impactada por crises diplomáticas globais e sanções internacionais, fatores que inviabilizaram o fornecimento regular de peças de reposição originais. Além disso, custos operacionais extremamente elevados por hora de voo foram apontados pelo alto-comando como barreiras orçamentárias intransponíveis para a continuidade da linha de voo.Com a retirada dos blindados de cena, uma lacuna doutrinária foi aberta na defesa do país, visto que um substituto direto para a categoria de asas rotativas de combate não foi adquirido até o presente momento. Atualmente, as tarefas de apoio armado e interceptação que eram centralizadas no Sabre foram distribuídas entre os aviões turboélices A-29 Super Tucano e os helicópteros utilitários adaptados H-60 Black Hawk e H-36 Caracal, os quais carecem da mesma blindagem estrtural e capacidade destrutiva especializada.
O novo papel como peça de acervo histórico
O encerramento do ciclo operacional do vetor é ressignificado por meio de sua transformação em patrimônio cultural e educativo. A exibição pública do AH-2 Sabre no Museu Aeroespacial Paulista é planejada para atrair pesquisadores, entusiastas e o público civil, servindo como testemunho material de uma era em que o Brasil deteve a supremacia em asas rotativas de combate na América do Sul. A história de homens e máquinas que patrulharam as fronteiras mais isoladas do território nacional será contada através deste exemplar preservado.