Levantamentos de diferentes institutos mostram afunilamento no segundo turno e acirrada disputa por votos do eleitorado de centro
Uma nova bateria de pesquisas eleitorais divulgada na terceira semana de setembro de 2026 indica uma mudança de patamar na corrida pela Presidência da República. As eleições de segundo turno/2026 passa a ser desenhado sob um cenário de extrema competitividade e empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A amostragem presencial realizada pelo instituto Quaest entre os dias 10 e 13 de setembro, encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Globo e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03607/2026, capturou uma virada numérica. O parlamentar do PL alcançou 42% das intenções de voto em uma simulação de segundo confronto direto, contra 40% do atual chefe do Executivo federal. Com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o resultado estatístico configura empate técnico, mas ratifica o movimento de retração da vantagem que o governo mantinha em rodadas anteriores.
Contudo, o quadro geral das pesquisas de opinião no país não reflete hegemonia isolada de nenhum dos polos. O cruzamento dos dados da Quaest com levantamentos recentes dos institutos Datafolha, AtlasIntel/Bloomberg, BTG/Nexus e CNT/MDA revela uma disputa fragmentada no primeiro turno, na qual metodologias distintas e recortes demográficos específicos influenciam diretamente nas oscilações.
Divergências metodológicas expõem nuances da amostragem eleitoral.
A análise comparativa entre os principais órgãos de pesquisa demonstra como a metodologia de coleta afeta as métricas capture do eleitorado nacional. Enquanto as pesquisas presenciais domiciliares e em pontos de fluxo tendem a capturar dinâmicas regionais e de menor escolaridade com maior granularidade, as abordagens digitais e telefônicas mostram maior penetração nos centros urbanos de média e alta renda.
O estudo do Datafolha (BR-04029/2026), finalizado em 16 de setembro com 2.002 entrevistas presenciais, aponta estabilidade no topo da corrida. No primeiro turno, Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro registra 36%. Já na simulação de segundo turno do mesmo instituto, o atual presidente mantém a liderança numérica com 46% contra 44% do senador, também dentro da margem de erro de dois pontos.
Por outro lado, a sondagem da AtlasIntel/Bloomberg (BR-06221/2026), realizada via recrutamento digital aleatório com 5.018 entrevistados entre 11 e 16 de setembro, aponta Lula à frente no primeiro turno com 44,1% contra 41,7% de Flávio. No entanto, no confronto direto final, Flávio atinge 47,2% ante 46,8% do petista, consolidando mais um cenário de empate no limite da margem de erro, que é de um ponto percentual.
Já o levantamento telefônico do BTG/Nexus (BR-04076/2026), divulgado em 14 de setembro, traz Lula com 42% e Flávio com 37% no primeiro turno. Na etapa decisiva, o presidente registra 47% e o candidato da oposição contabiliza 46%. Por fim, a pesquisa presencial da CNT/MDA (BR-06902/2026) apresenta a maior vantagem para o Palácio do Planalto no segundo turno: 47,3% para Lula contra 40% para Flávio Bolsonaro.
Quadro Comparativo: O Cenário Presidencial nos Institutos (Setembro/2026)
| Instituto de Pesquisa | Método / Amostragem | Registro TSE | 1º Turno | 2º Turno | Margem de Erro |
| Quaest | Presencial (2.004 entrevistas) | BR-03607/2026 | Lula 36% | Flávio 31% | Flávio 42% | Lula 40% (Empate técnico) | 2,0% |
| Datafolha | Presencial (2.002 entrevistas) | BR-04029/2026 | Lula 39% | Flávio 36% | Lula 46% | Flávio 44% (Empate técnico) | 2,0% |
| AtlasIntel / Bloomberg | Digital Aleatório (5.018 entrevistas) | BR-06221/2026 | Lula 44,1% | Flávio 41,7% | Flávio 47,2% | Lula 46,8% (Empate técnico) | 1,0% |
| BTG / Nexus | Telefônica (2.003 entrevistas) | BR-04076/2026 | Lula 42% | Flávio 37% | Lula 47% | Flávio 46% (Empate técnico) | 2,0% |
| CNT / MDA | Presencial (2.002 entrevistas) | BR-06902/2026 | Lula 40,6% | Flávio 30,4% | Lula 47,3% | Flávio 40,0% (Lula à frente) | 2,2% |
Terceira via e migração de votos no Centro-Sul ditam o ritmo da disputa
O desempenho dos pré-candidatos que buscam se posicionar como alternativa à polarização é apontado por analistas como o fator determinante para a composição das forças na etapa final. No levantamento estimulado da Quaest para o primeiro turno, a lista de competidores é encabeçada por Lula (36%) e Flávio Bolsonaro (31%), seguidos por:
- Augusto Cury (Avante): 7%
- Renan Santos (Missão): 4%
- Ronaldo Caiado (PSD): 4%
- Romeu Zema (Novo): 1%
- Brancos, nulos e indecisos: 17%
A capacidade de absorção desses eleitores no segundo turno explica o afunilamento do pleito. Segundo o cientista político e diretor do instituto Quaest, Felipe Nunes, o movimento de migração das candidaturas de centro e direita em direção ao nome do Partido Liberal consolida uma tendência de afunilamento da disputa, especialmente em estados chaves do Centro-Sul.
A dinâmica geográfica reforça essa tese. No recorte regional da Quaest, Flávio Bolsonaro estabeleceu uma vantagem de 16 pontos percentuais no Sudeste, onde soma 47% das intenções de voto no segundo turno contra 31% do atual presidente. A Região Nordeste permanece como o principal pilar de sustentação governista, garantindo a Lula 60% da preferência ante 28% do senador do PL.
Avaliação de governo e rejeição elevada impõem desafios ao Planalto
A oscilação nas intenções de voto coincide com os indicadores de percepção da gestão pública federal. Na medição da Quaest, a desaprovação da administração do Palácio do Planalto fixou-se em 50%, enquanto a taxa de aprovação ficou em 43%. No detalhamento do conceito de governo, 38% dos entrevistados avaliam a gestão como negativa, 32% como positiva e 27% como regular.
Esse desgaste reflete-se na taxa de rejeição dos dois principais postulantes. De acordo com a Quaest, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro registram exatos 55% de rejeição entre os eleitores que afirmam conhecê-los e declaram que não votariam em nenhum deles de forma alguma. Entre os nomes do pelotão intermediário, Ronaldo Caiado tem 42% de rejeição, Romeu Zema soma 40%, Renan Santos registra 30% e Augusto Cury aparece com 26%.
O avanço da insatisfação em estratos urbanos e na classe média reduziu o piso eleitoral do governo, tornando competitivas as simulações do atual presidente contra outros nomes de oposição no segundo turno:
- Lula (38%) vs. Augusto Cury (36%) - Empate técnico
- Lula (41%) vs. Ronaldo Caiado (39%) - Empate técnico
- Lula (41%) vs. Renan Santos (38%) - Empate técnico
- Lula (45%) vs. Romeu Zema (33%) - Lula à frente
A proximidade dos números em múltiplos cenários consolida um ambiente de alta volatilidade política a poucas semanas do pleito. Com margens apertadas e divisões demográficas profundas, a disputa pela Presidência em 2026 caminha para ser uma das mais acirradas da história recente do país.
Acesse meus artigosBacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer | Conselheiro de Segurança
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