O ministro Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília (DF), para exigir a identificação formal de todos os magistrados citados nos relatórios do Caso Master antes do prosseguimento das deliberações sobre a conduta do ministro Alexandre de Moraes. A petição foi distribuída na sede da Corte e visa determinar impedimentos e suspeições regimentais antes de qualquer votação decisiva.
Questão de ordem reordena o rito no STF
A iniciativa protocolada por Gilmar Mendes altera a dinâmica das discussões internas do Supremo Tribunal Federal ao condicionar o andamento do processo a uma varredura promovida pela Secretaria Judiciária do STF. O magistrado argumenta que a transparência sobre quem foi mencionado nas investigações e em quais circunstâncias — incluindo citação a gabinetes ou familiares de integrantes da Corte, como o ministro Nunes Marques — é premissa indispensável para assegurar a imparcialidade do julgamento.
Além de solicitar o levantamento completo dos nomes de juízes e ministros citados na documentação técnica, a manifestação requer a suspensão imediata dos atos conduzidos pelo relator, ministro André Mendonça. O texto aponta para a necessidade de o tribunal preservar o princípio do juiz natural e restabelecer a segurança jurídica antes de avançar sobre o mérito do caso.
Suspensão de julgamento e pedido de vista
O debate no plenário virtual do STF acabou paralisado em virtude de um pedido de vista apresentado pelo ministro Flávio Dino. A interrupção travou o desfecho da representação formulada contra a atuação do ministro Alexandre de Moraes e adiou a análise do pedido de redistribuição por sorteio da relatoria do processo.
A controvérsia central reside no fato de que a votação de magistrados eventualmente citados nos autos do Banco Master poderia gerar nulidades processuais futuras. A defesa do mapeamento prévio sustenta que o plenário só deve deliberar após a manifestação oficial da Procuradoria-Geral da República e a oitiva formal dos envolvidos.
Próximos passos e manifestação da Procuradoria
Com o processo suspenso, a expectativa interna no STF volta-se para a devolução da vista por parte de Flávio Dino e o subsequente parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O julgamento deverá ser retomado em sessão presencial do plenário físico, onde os ministros votarão a admissibilidade da questão de ordem proposta por Gilmar Mendes.
Especialistas em direito constitucional avaliam que a decisão que prevalecer sobre a identificação dos magistrados servirá de precedente para a condução de investigações que envolvam simultaneamente integrantes da alta cúpula do Judiciário e instituições financeiras sob apuração formal.
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