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Luchsinger tratava Lulinha como sócio em oito conversas

Registros em posse da Polícia Federal mostram a empresária se referindo a Fábio Luís Lula da Silva como parceiro de negócios no Brasil e no exterior entre 2023 e 2024

Imagem ilustrativa criada por IA

A interceptação de mensagens de Roberta Luchsinger pela Polícia Federal revelou ao menos oito ocasiões em que a empresária se referiu a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, como seu sócio em negócios no Brasil e no exterior. O acervo fonográfico e de mensagens escritas, que integra inquéritos sigilosos em tramitação no Supremo Tribunal Federal e na Justiça do Trabalho, contradiz o depoimento prestado pela investigada à corporação em maio de 2026, quando ela reduziu o vínculo com o filho do presidente da República a uma mera amizade e negou qualquer repasse financeiro.

Os diálogos, obtidos e revelados pelo portal Metrópoles e confirmados por órgãos de imprensa, foram travados via aplicativo de mensagens WhatsApp entre junho de 2023 e junho de 2024. Nas gravações e textos enviados a advogados, gerentes de hotéis de luxo na Europa e fornecedores, Luchsinger frequentemente associava o nome do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a empreendimentos comerciais e viagens internacionais.  

Detalhes de viagens internacionais e articulação corporativa

As trocas de mensagens expõem uma rotina de articulações e viagens compartilhadas. Em 25 de junho de 2024, ao conversar com a gerência do hotel Le Bristol, em Paris, Luchsinger afirmou ter feito compras na capital francesa ao lado do filho do chefe do Executivo.

"Estava com meu sócio e a família. Filho do presidente Lula. Fizemos muita compra e adoraria ter lhe encontrado", escreveu a empresária no diálogo registrado.

Meses antes, em 28 de janeiro de 2024, ao organizar uma ida a Genebra, na Suíça, Luchsinger informou a uma interlocutora: "Conosco irão Fábio (meu sócio) filho do presidente Lula com a esposa e filhos". Em áudio enviado no dia 22 de fevereiro de 2024, ela cita que "Fábio, meu sócio, já viajou para Barcelona" e que precisaria acelerar demandas de trabalho no país.

Menções a Fernando Bittar e rotina no Distrito Federal

O acervo mantido pelos peritos do Instituto Nacional de Criminalística inclui citações diretas a outros atores de investigações passadas. Em áudio gravado no dia 10 de janeiro de 2024, a empresária indaga um contato sobre "Fernando, meu sócio na empresa que eu tenho com ele, com o Fábio, filho do presidente", em referência ao empresário Fernando Bittar. A mesma menção havia sido feita em outubro de 2023 a um advogado paulista, quando declarou expressamente: "O Fábio é meu sócio. Eu, ele e o Fernando Bittar".

Em outra frente de apuração, conduzida no âmbito da Operação Sem Desconto, a PF analisa registros operacionais em que Luchsinger detalha a rotina entre São Paulo e o Distrito Federal. Em conversa do dia 13 de maio de 2024, ela relata a um interlocutor que passava a maior parte da semana em Brasília acompanhada de Lulinha, a quem chamou de "meu sócio que é filho do PR".

Desdobramentos judiciais e posicionamento das defesas

O material coletado passou a subsidiar os inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência e intermediação ilícita de negócios junto ao Ministério da Saúde e à estatal . Paralelamente, dados de auditoria financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e registros de uma ação trabalhista movida por uma ex-funcionária no Distrito Federal apontam custeios que alcançavam R$ 100 mil mensais para bancar despesas e a preparação de residências no Plano Piloto para recepções de Lulinha.

Em manifestações recentes sobre o caso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rechaçou qualquer ilícito, declarou não conhecer a conduta da investigada e classificou as menções telefônicas como abusivas e sem respaldo real. A defesa de Fábio Luís Lula da Silva sustenta que seu cliente mantinha apenas relações de amizade com a empresária e que jamais recebeu valores ou atuou para facilitar negócios privados na Esplanada dos Ministérios. Os advogados de Luchsinger argumentam que os trechos divulgados foram retirados de contexto e que sua atuação sempre esteve adstrita à iniciativa privada.

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