Investigação da Polícia Federal aponta que a lobista ordenou depósitos em dinheiro a funcionários públicos em Brasília; pasta fechou contrato milionário meses depois.
A empresária Roberta Luchsinger ordenou que seu motorista realizasse repasses de dinheiro em espécie a servidores do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em Brasília (DF), conforme apontam mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF). De acordo com os relatórios dos investigadores, os depósitos fracionados totalizaram R$ 60 mil e ocorreram em junho de 2023. A revelação central do inquérito indica que, exatamente seis meses após os pagamentos ilícitos a funcionários vinculados à pasta, o órgão governamental firmou um contrato de tecnologia de grande vulto com um empresário representado pela própria lobista.
Mensagens revelam logística de depósitos fracionados em espécie
As evidências que embasam a investigação foram extraídas de conversas recuperadas do celular de Roberta Luchsinger. Os diálogos detalham como a empresária orientou seu motorista e operador financeiro, Ulisses Barbosa, a movimentar montantes em dinheiro vivo guardados em sua residência para burlar os mecanismos automáticos de fiscalização do sistema financeiro. Segundo o relatório da PF, a ordem inicial estipulava a divisão de R$ 60 mil para evitar suspeitas de órgãos reguladores.
Durante a execução da ordem, o motorista alertou a intermediária sobre os limites operacionais das instituições bancárias. “Acima de 50 mil por dia por CPF a moça disse que o Banco Central já fica de olho... já aciona tipo um alerta lá”, registrou Ulisses em mensagem de texto enviada durante a operação no banco. Para contornar o entrave, os valores foram fracionados em depósitos de R$ 20 mil direcionados a contas de dois servidores do ministério — identificados como Ranniêr e José Martinho — além da conta de uma parente de um deles.
Contrato milionário de tecnologia e a mira da Polícia Federal
O elo temporal entre os repasses financeiros e as contratações públicas constitui o eixo central da apuração conduzida pela Delegacia de Polícia Federal. Seis meses após a efetivação dos depósitos aos funcionários públicos, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social formalizou um contrato de R$ 31,2 milhões com a empresa de tecnologia 3Structure, representada comercialmente pelo empresário Cléber Ribas, ligado à lobista.
Diante da repercussão dos fatos, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social emitiu nota oficial na qual rechaça veementemente qualquer hipótese de favorecimento ou irregularidade no processo licitatório.
Reações da defesa e desdobramentos judiciais no Distrito Federal
A defesa técnica de Roberta Luchsinger adotou uma postura de forte contestação em relação à condução e à publicidade dos documentos sigilosos. O advogado criminalista Roberto Podval afirmou publicamente que a defesa desconhece o teor das conversas divulgadas e criticou o que classificou como vazamentos ilegais de inquéritos sob sigilo com motivações político-eleitorais. Por sua vez, a defesa de outros citados nos relatórios da Polícia Federal também negou irregularidades, enquanto os inquéritos principais seguem sob análise rigorosa do Supremo Tribunal Federal e das varas especializadas em crimes contra a administração pública em Brasília (DF).
Acesse meus artigosBacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer | Conselheiro de Segurança
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