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Operação Crédito Oculto mira cúpula financeira em esquema multibilionário

A terceira fase da Operação Carbono Oculto, batizada de Crédito Oculto, cumpriu mandados em sete estados brasileiros para desarticular uma rede de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e infiltração no setor de combustíveis e sucroalcooleiro.

O avanço da terceira fase e os alvos estratégicos

A deflagração da terceira fase da Operação Carbono Oculto, denominada Operação Crédito Oculto, mobilizou órgãos de fiscalização e segurança pública para cumprir dezenas de mandados de busca, apreensão e bloqueio de bens expedidos pela Segunda Vara Criminal de Catanduva, no interior do estado de São Paulo. A ofensiva mirou diretamente operadores do mercado financeiro, executivos e empresas suspeitos de integrar uma complexa engrenagem de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.

As ações coordenadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal, a Procuradoria-Geral do Estado e as polícias Civil e Militar, abrangeram sete estados brasileiros: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. No total, os mandados atingiram dezenas de endereços vinculados a dezenas de pessoas físicas e jurídicas.

Entre os principais alvos das apurações recentes estão figuras de proa do sistema financeiro, como o diretor do Banco Genial, Humberto Arthur Tupinambá Neto, e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, controlador da Entre Investimentos. De acordo com os investigadores, a rede criminosa utilizou fundos de investimento sofisticados, fintechs e estruturas societárias simuladas para viabilizar a aquisição de ativos estratégicos, como uma usina sucroalcooleira e grandes distribuidoras de combustíveis.

Engenharia financeira e conexões com o crime organizado

O contexto que fundamenta a operação revela como facções criminosas — com destaque para investigações que apontam ramificações ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) — conseguiram se infiltrar nas engrenagens da economia nacional e do mercado financeiro. A atuação conjunta entre o braço operacional do crime e operadores de colarinho branco permitiu a criação de camadas sucessivas de ocultação de bens, afastando a titularidade real dos ativos.

Segundo os relatórios de inteligência da Receita Federal e do Ministério Público, o esquema se estruturou em etapas bem definidas. Inicialmente, o grupo ocultou o controle de uma empresa sucroalcooleira por meio de testas de ferro e empresas de fachada. Posteriormente, essa estrutura foi instrumentalizada para dar suporte financeiro à compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país, a Terrana (Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda.).

As apurações detalham operações atípicas de grande monta, incluindo transações de R$ 100 milhões pulverizadas em contas de passagem e uma operação de cerca de R$ 370 milhões em direitos creditórios vinculados à usina. Além disso, uma única empresa financeira associada ao esquema movimentou a cifra multibilionária de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025, evidenciando o uso intensivo de instituições de pagamento e fundos estruturados para conferir aparência lícita aos capitais ilícitos.

O impacto multissetorial e os desdobramentos judiciais

A ramificação da investigação expõe a vulnerabilidade de setores regulados frente a serviços clandestinos de lavagem de capitais prestados por profissionais do mercado de capitais. O uso de fundos de investimento em participações, fundos imobiliários para blindagem de bens imóveis e certificados de depósito bancário vinculados (CDBVs) demonstra a sofisticação técnica adotada para burlar os órgãos de controle, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Em nota oficial, o Banco Genial informou que forneceu prontamente todas as informações solicitadas pelo Gaeco, destacando que afastou o diretor envolvido assim que tomou conhecimento dos fatos, procedendo posteriormente à sua destituição e renunciando à administração do fundo envolvido nas transações. Outras defesas e empresas citadas continuam a ser avaliadas pelas autoridades judiciais enquanto os peritos analisam farto material apreendido, composto por documentos digitais, backups de celulares e registros societários.

A continuidade das diligências reforça o cerco contra a simulação negocial e a corrupção estrutural, evidenciando que o combate ao crime organizado moderno exige o desmonte das redes de lavagem de dinheiro instaladas nos grandes centros financeiros do país.

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Bacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas  I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer |  Conselheiro de Segurança

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