Pressionado por investigações e inelegibilidade, o político recua da disputa ao Senado para focar em sua defesa jurídica
A corrida eleitoral para o Congresso Nacional sofreu uma reviravolta expressiva no cenário político fluminense. A desistência de Cláudio Castro da sua pré-candidatura ao Senado Federal foi anunciada oficialmente pelo próprio político, por meio de um pronunciamento em vídeo publicado nas redes sociais. A decisão foi tomada após o ex-governador comunicar formalmente o recuo estratégico à cúpula nacional e estadual do Partido Liberal (PL), alterando profundamente os arranjos políticos na direita fluminense para o pleito deste ano.
O recuo foi motivado por uma sequência de reveses jurídicos e pelo avanço de operações policiais que asfixiaram a viabilidade de sua campanha majoritária. Em um intervalo de apenas 11 dias, duas operações de busca e apreensão foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e executadas pela Polícia Federal (PF). O foco das investigações está centrado em supostos favorecimentos fiscais concedidos à refinaria Refit (antiga Manguinhos) e em possíveis irregularidades em aportes financeiros estimados em R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência em fundos vinculados ao Banco Master.
Pressão do judiciário acelera o recuo estratégico
A sustentação jurídica da pré-candidatura já se encontrava fragilizada desde o mês de abril, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referendou a inelegibilidade do ex-governador por abuso de poder político e econômico. A condenação é fruto do processo que apura desvios e a criação de cargos fantasmas na folha de pagamentos da Fundação Ceperj e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) durante o período eleitoral de 2022. O julgamento dos embargos de declaração, tidos como o último recurso cabível na Corte Eleitoral, está agendado para o próximo dia 2 de junho.
Diante do iminente risco de ter o registro de candidatura indeferido de forma definitiva às vésperas da convenção partidária, a retirada do nome da disputa ao Senado foi desenhada como uma ação de contenção de danos. No vídeo divulgado à população e aos apoiadores, foi ressaltado pelo político que o afastamento temporário do pleito majoritário se faz estritamente necessário para que os esforços sejam integralmente concentrados na condução de sua defesa jurídica e na preservação de seu núcleo familiar contra o que classificou como ataques coordenados e narrativas infundadas.
Reconfiguração partidária e o futuro na Câmara
Embora o plano de atingir uma cadeira no Senado Federal tenha sido abortado, a carreira pública não foi dada como encerrada nos bastidores. Articulações internas na legenda partidária começaram a ser desenhadas com o objetivo de avaliar a viabilidade de uma candidatura à Câmara dos Deputados. Essa alternativa, contudo, permanece condicionada ao desfecho do julgamento na Justiça Eleitoral e depende diretamente da obtenção de um efeito suspensivo que devolva os direitos políticos ao ex-mandatário.
A saída do ex-governador da disputa pelo Senado redesenha o mapa de alianças no estado do Rio de Janeiro. As duas vagas que estarão em disputa no território fluminense passam a ser cobiçadas por novas lideranças ligadas ao governo estadual e à oposição, desencadeando uma imediata redistribuição de bases eleitorais e de apoios de prefeitos no interior e na região metropolitana. O espaço deixado pelo PL abre margem para negociações com partidos aliados da base governista que buscam espaço na chapa majoritária.