Desistência de Cláudio Castro ao Senado agita os bastidores do Rio

Pressionado por investigações e inelegibilidade, o político recua da disputa ao Senado para focar em sua defesa jurídica

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A corrida eleitoral para o Congresso Nacional sofreu uma reviravolta expressiva no cenário político fluminense. A desistência de Cláudio Castro da sua pré-candidatura ao Senado Federal foi anunciada oficialmente pelo próprio político, por meio de um pronunciamento em vídeo publicado nas redes sociais. A decisão foi tomada após o ex-governador comunicar formalmente o recuo estratégico à cúpula nacional e estadual do Partido Liberal (PL), alterando profundamente os arranjos políticos na direita fluminense para o pleito deste ano.

O recuo foi motivado por uma sequência de reveses jurídicos e pelo avanço de operações policiais que asfixiaram a viabilidade de sua campanha majoritária. Em um intervalo de apenas 11 dias, duas operações de busca e apreensão foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e executadas pela Polícia Federal (PF). O foco das investigações está centrado em supostos favorecimentos fiscais concedidos à refinaria Refit (antiga Manguinhos) e em possíveis irregularidades em aportes financeiros estimados em R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência em fundos vinculados ao Banco Master.

Pressão do judiciário acelera o recuo estratégico

A sustentação jurídica da pré-candidatura já se encontrava fragilizada desde o mês de abril, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referendou a inelegibilidade do ex-governador por abuso de poder político e econômico. A condenação é fruto do processo que apura desvios e a criação de cargos fantasmas na folha de pagamentos da Fundação Ceperj e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) durante o período eleitoral de 2022. O julgamento dos embargos de declaração, tidos como o último recurso cabível na Corte Eleitoral, está agendado para o próximo dia 2 de junho.

Diante do iminente risco de ter o registro de candidatura indeferido de forma definitiva às vésperas da convenção partidária, a retirada do nome da disputa ao Senado foi desenhada como uma ação de contenção de danos. No vídeo divulgado à população e aos apoiadores, foi ressaltado pelo político que o afastamento temporário do pleito majoritário se faz estritamente necessário para que os esforços sejam integralmente concentrados na condução de sua defesa jurídica e na preservação de seu núcleo familiar contra o que classificou como ataques coordenados e narrativas infundadas.

Reconfiguração partidária e o futuro na Câmara

Embora o plano de atingir uma cadeira no Senado Federal tenha sido abortado, a carreira pública não foi dada como encerrada nos bastidores. Articulações internas na legenda partidária começaram a ser desenhadas com o objetivo de avaliar a viabilidade de uma candidatura à Câmara dos Deputados. Essa alternativa, contudo, permanece condicionada ao desfecho do julgamento na Justiça Eleitoral e depende diretamente da obtenção de um efeito suspensivo que devolva os direitos políticos ao ex-mandatário.

A saída do ex-governador da disputa pelo Senado redesenha o mapa de alianças no estado do Rio de Janeiro. As duas vagas que estarão em disputa no território fluminense passam a ser cobiçadas por novas lideranças ligadas ao governo estadual e à oposição, desencadeando uma imediata redistribuição de bases eleitorais e de apoios de prefeitos no interior e na região metropolitana. O espaço deixado pelo PL abre margem para negociações com partidos aliados da base governista que buscam espaço na chapa majoritária.

Acesse os artigos do nosso colunista
Voltar

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem
Zona de Defesa

Formulário de contato