Investigações da Corregedoria e do Ministério Público detalham rede clandestina de segurança privada para a diretoria da concessionária operada pela facção criminosa PCC
As investigações conduzidas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo e pela Corregedoria da Polícia Militar revelaram uma complexa estrutura de proteção e lavagem de dinheiro que conecta agentes públicos, a cúpula do Primeiro Comando da Capital e a diretoria da Transwolff Transportes e Turismo Ltda., concessionária do transporte coletivo da Zona Sul da capital paulista. O avanço das apurações culminou na decretação de prisões preventivas expedidas pela Justiça Militar do Estado de São Paulo, mirado o braço armado do esquema responsável por garantir a segurança pessoal de dirigentes da empresa e blindar operações financeiras ligadas ao crime organizado.
No centro das apurações está o Capitão Alexandre Paulino Vieira, lotado na Assessoria Policial Militar da Câmara Municipal de São Paulo e apontado pelos investigadores como o coordenador operacional da rede de segurança ilegal mantida para diretores da concessionária.
Estrutura militar clandestina garantia blindagem na concessionária da Zona Sul
De acordo com a denúncia formalizada pelo Ministério Público, a organização contava com um núcleo rígido de policiais militares recrutados para prestar serviços de escolta e vigilância armada informal. Além do Capitão Alexandre Paulino Vieira, foram detidos e denunciados o Sargento Alexandre Aleixo Romano Cezario e o Sargento reformado Nereu Aparecido Alves.
O encaminhamento dos mandados e do inquérito para julgamento perante o Tribunal de Justiça Militar ocorreu após a constatação de que infrações disciplinares gravíssimas e crimes de natureza militar foram cometidos com o uso de influência funcional. Os agentes presos atuavam em escala paralela, recebendo remunerações não declaradas pagas diretamente pelos gestores da viação, em manobra destinada a repelir a fiscalização de órgãos de controle estaduais e federais no pátio da frota operante.
Depoimentos e quebra de sigilo associam ex-presidente da Câmara ao comando real da frota
A inclusão definitiva do ex-vereador Milton Leite no escopo principal das operações ocorreu após o cruzamento de mensagens telefônicas apreendidas e o teor do depoimento prestado por um dos sargentos custodiados. Em oitiva anexada aos autos, o policial declarou que o Capitão Alexandre Paulino Vieira mantinha proximidade direta com Milton Leite durante sua permanência na Assessoria Militar do Parlamento municipal e que o comando da segurança privada da Transwolff derivava dessa relação de influência política.
Paralelamente, relatórios da Polícia Civil e do Ministério Público indicam que escutas e dados telemáticos capturaram diálogos de lideranças da facção criminosa citando explicitamente o ex-parlamentar como peça decisiva nos contratos do transporte público paulistano. Apontado no inquérito como proprietário oculto da concessionária, Milton Leite teve a prisão decretada após se tornar alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela polícia nas cidades de São Paulo e Sorocaba. O ex-vereador se entregou às autoridades na capital paulista após mais de 30 horas de buscas.
Defesas negam acusações e alegam atuação institucional
Em pronunciamentos oficiais e manifestações anexadas ao processo, a defesa de Milton Leite nega veementemente qualquer vínculo de propriedade com a concessionária ou envolvimento com integrantes de facções criminosas. Em declaração prestada à imprensa ao se apresentar à polícia, o ex-vereador afirmou:
"Só se arrepende quem comete crime. Eu não cometi nenhum, nada devo. Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor de transportes foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono da Tr
answolff." — Milton Leite , ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo.
A defesa técnica do Capitão Alexandre Paulino Vieira e dos demais policiais militares detidos declarou à Justiça que as atividades prestadas pelos agentes não configuram ilícito penal militar nem conluio com o crime organizado, sustentando a regularidade da conduta dos servidores. A concessionária Transwolff reforçou publicamente que Milton Leite jamais constou em seu quadro societário e que a empresa segue colaborando com as autoridades na apuração das denúncias. O processo segue sob análise do Poder Judiciário e do Tribunal de Justiça Militar.
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