Ministério Público Eleitoral (MPE) aponta suposta ligação de deputado com milícias na Baixada Fluminense
O Ministério Público Eleitoral (MPE) mudou seu posicionamento oficial e solicitou a impugnação do registro de candidatura de Márcio Canella, deputado estadual e candidato à Prefeitura de Belford Roxo, no Estado do Rio de Janeiro. A reviravolta no processo ocorreu após o oferecimento de novas denúncias e documentos que apontam uma máfia do crime organizado operando com a complacência de agentes públicos no município. A manifestação do órgão ministerial pede o indeferimento imediato com base na Lei da Ficha Limpa, alegando grave quebra da lisura eleitoral e vínculos estruturais com grupos paramilitares de segurança privada.
A decisão de alterar o parecer anterior decorre de investigações conjuntas entre o MPE e a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), enviadas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). Segundo a peça acusatória apresentada pela Promotoria da Zona Eleitoral de Belford Roxo, novos depoimentos e escutas telefônicas autorizadas indicam a participação direta ou indireta de correligionários e aliados do parlamentar na expansão de milícias nos bairros Lote XV, Parque Amorim e Heliópolis. O parquet fundamentou o pedido sustentando que a manutenção da candidatura compromete a legitimidade do pleito e a ordem pública regional.
Investigações apontam avanço da milícia e ingerência política
A reviravolta judicial põe em xeque o cenário político da Baixada Fluminense. Segundo os autos interpostos pela Promotoria Eleitoral, os relatórios de inteligência revelam que o grupo armado atuava no loteamento clandestino de terras, na cobrança de taxas ilegais a comerciantes locais e no controle monopolista do transporte alternativo de passageiros. A acusação formal sublinhada pelo MPE sustenta que a influência política de Márcio Canella garantia a expansão territorial das células criminosas sem a devida fiscalização dos órgãos municipais e estaduais.
Em pronunciamento anexado às alegações finais do processo, o promotor eleitoral responsável pelo parecer destacou a severidade do panorama apontado nos autos: "A análise detida dos novos elementos comprova que a estrutura eleitoral do representado utilizava a máquina de coerção paralela exercida pelas milícias para coagir eleitores e garantir redutos eleitorais exclusivos na Baixada Fluminense, inviabilizando o livre exercício do voto."
Por outro lado, a defesa do parlamentar sustenta a tese de inocência e classifica o pedido do Ministério Público como uma manobra com motivações estritamente políticas, desenhada para desestabilizar sua campanha no curso do processo eleitoral. Em nota oficial emitida pelos advogados constituídos pelo candidato, a equipe jurídica garante que preenche todos os requisitos legais exigidos pela Justiça Eleitoral e formalizou o recurso cabível para reverter a manifestação ministerial antes do julgamento final do registro.
Impactos no pleito e cenários para a Baixada Fluminense
A mudança de posicionamento do Ministério Público Eleitoral reorganiza a corrida pela prefeitura local e reacende o debate sobre o crime organizado no Rio de Janeiro e sua infiltração nas instituições democráticas. Caso o parecer do MPE seja acolhido integralmente pelo juízo da Justiça Eleitoral, a candidatura de Márcio Canella será declarada indeferida, o que pode impedir o comparecimento do seu nome às urnas ou anular os votos eventualmente validados, a depender do trânsito em julgado da matéria.
Especialistas em direito eleitoral apontam que o caso reflete o endurecimento das instâncias de fiscalização contra candidatos investigados por conexões paramilitares. O plenário do Tribunal Regional Eleitoral deve julgar o mérito da impugnação nos próximos dias, enquanto as forças de segurança reforçam o monitoramento ostensivo no município de Belford Roxo para conter eventuais distúrbios ou pressões sobre lideranças comunitárias durante o período que antecede a votação.
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