Sanção presidencial da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos estabelece a triagem de investimentos estrangeiros e eleva o orçamento geológico de R$ 8 milhões para R$ 300 milhões
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE).
O evento oficial de assinatura do texto e do decreto regulamentar (Decreto nº 13.118/2026) reuniu autoridades dos setores de mineração, energia e defesa em Brasília. Originada do Projeto de Lei nº 2.780/2024, de autoria do deputado federal Zé Silva (União-MG), a legislação visa reestruturar a posição do Brasil na cadeia de valor global de elementos como terras raras, lítio, nióbio, níquel, cobalto e grafita.
Criação do CIMCE e mecanismos de triagem e segurança geopolítica
A legislação cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), órgão colegiado vinculado à Presidência da República e presidido pelo Ministro da Casa Civil.
A partir da vigência do texto, o CIMCE passa a ter competência legal para analisar e aprovar:
- Mudanças de controle societário: Alterações diretas ou indiretas no controle de empresas titulares de direitos minerários relativos a minerais críticos no Brasil.
- Contratos internacionais: Acordos de fornecimento (offtake), parcerias estratégicas e contratos de transação minerária (streaming) com entes estrangeiros que possam impactar a segurança econômica ou geopolítica do país.
- Aquisição de participações: Operações de reorganização societária envolvendo depósitos estratégicos pré-determinados.
As decisões do comitê executivo do órgão poderão homologar incondicionalmente, impor condicionantes operacionais ou veto total às operações societárias.
Aumento do orçamento geológico e incentivos à industrialização nacional
Durante a cerimônia, o Governo Federal confirmou a expansão dos aportes direcionados ao mapeamento do subsolo brasileiro. O orçamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) para pesquisas de prospecção e cartografia mineral foi elevado de R$ 8 milhões para R$ 300 milhões anuais.
O objetivo central é ampliar o conhecimento científico sobre depósitos de terras raras e minerais de bateria localizados em estados como Goiás, Minas Gerais, Amazonas, Bahia e Tocantins. O país detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, com mais de 21 milhões de toneladas estimadas, mas responde por menos de 1% da produção global refinada.
Para alterar esse cenário, a Lei nº 15.506/2026 estruturou os seguintes instrumentos de fomento econômico:
1) Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM): Fundo privado alimentado por cotas públicas e privadas para concessão de garantias de crédito e mitigação de riscos em projetos de pesquisa e mineração.
2) Certificado de Mineral de Baixo Carbono: Mecanismo de certificação rastreável baseado na análise do ciclo de vida, exigindo o uso de energias renováveis e descarbonização dos processos de lavra e refino.
3) Prioridade em Leilões da ANM:
4) Garantias em Contratos de Streaming: Autorização para averbação de contratos privados de royalties e streaming junto à ANM, conferindo eficácia contratual perante terceiros e facilidade no acesso a financiamento internacional de projetos.
Reações do mercado, parlamentares e da indústria mineral
O autor da proposta no Congresso Nacional, deputado Zé Silva (União-MG), classificou o texto como um avanço estrutural para a economia do país. O parlamentar ressaltou que a nova lei busca encerrar a dependência histórica do Brasil em relação à exportação de minério bruto sem agregamento de valor.
O setor privado e escritórios especializados em direito minerário e M&A destacaram a relevância da criação do Cadastro Nacional de Projetos de Minerais Críticos
A instalação formal do conselho executivo do CIMCE ocorrerá no prazo de até 90 dias a contar da publicação do decreto regulamentar. Caberá ao órgão editar a lista oficial das substâncias minerais enquadradas na norma, atualizada conforme os critérios econômicos, socioambientais e geopolíticos do mercado global.
Acesse meus artigosBacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer | Conselheiro de Segurança
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