Embaixador Peter Lamelas confirma atuação da CBP no adestramento técnico de agentes contra o tráfego de armas, narcóticos e materiais perigosos nas divisas argentinas
A cooperação de segurança entre Estados Unidos e Argentina registrou mais um avanço estratégico com a confirmação, anunciada nesta segunda-feira pelo embaixador norte-americano em Buenos Aires, Peter Lamelas, do treinamento das forças de controle de fronteira argentinas por meio da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP, na sigla em inglês). A iniciativa bilateral visa aprimorar a capacidade de detecção de armas de fogo, narcóticos e materiais perigosos, além de reforçar o combate às organizações criminosas transnacionais ao longo dos mais de 9.200 quilômetros de fronteiras terrestres do país sul-americano.
A declaração do diplomata expõe o aprofundamento das relações operacionais entre Washington e o governo argentino ao longo de 2026. A atuação da CBP, órgão vinculado ao Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS), introduz uma dimensão prática ao controle de passagens fronteiriças, portos e aeroportos, somando-se ao trabalho de inteligência e combate ao crime organizado já desenvolvido no país em parceria com a Agência Antidrogas dos EUA (DEA) e o Federal Bureau of Investigation (FBI).
Foco na identificação de cargas perigosas e inteligência de risco
O treinamento ministrado pelos instrutores da CBP abrange o uso de tecnologias de varredura, análise de risco e protocolos para localizar explosivos, drogas, materiais radiológicos e substâncias químicas de alto risco em cargas de exportação e importação. Segundo o embaixador Peter Lamelas, a segurança das divisas territoriais constitui um pilar compartilhado entre as duas nações.
"A segurança das fronteiras é uma responsabilidade compartilhada", disse Lamelas, ressaltando que a colaboração da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA visa fortalecer as ferramentas analíticas e operacionais das agências argentinas encarregadas da vigilância territorial.
Embora a publicação oficial não tenha detalhado o número exato de oficiais envolvidos, as unidades específicas contempladas ou a eventual doação de equipamentos, a medida consolida uma mudança de patamar: a presença das agências norte-americanas na Argentina migra do compartilhamento de inteligência para o adestramento direto na linha de frente dos postos alfandegários.
Alinhamento com o Plano Guacurarí e ações na Tríplice Fronteira
A assistência técnica norte-americana alinha-se com as prioridades de defesa do Ministério da Segurança Nacional da Argentina para 2026. A estratégia oficial argentina concentra esforços nos corredores mais vulneráveis ao contrabando e ao tráfego ilícito, com atenção especial voltada para o norte do país e a coordenação operacional com o Brasil e o Paraguai na região da Tríplice Fronteira.
Na Província de Misiones, a implementação do Plano Guacurarí mobiliza a ação conjunta da Gendarmería Nacional Argentina, da Polícia Federal, da Prefectura Naval, da Polícia Aeroportuária, da Agência Argentina de Controle de Fronteiras (ARCA) e da Diretoria de Imigração. A operação emprega drones, sistemas de monitoramento por câmeras e inteligência tática nas rotas limítrofes com o território brasileiro.
Em paralelo, o governo argentino criou em junho a Unidade de Segurança da Imigração, composta por agentes especializados das Forças Federais designados para colaborar com o Poder Judiciário em tarefas de prevenção criminal e fiscalização migratória.
Expansão da cooperação bilateral e inteligência antinarcóticos
O adestramento promovido pela CBP integra uma sequência de acordos bilaterais firmados entre Buenos Aires e Washington desde o início do ano. Em abril de 2026, a Argentina inaugurou o Centro Regional de Informação e Análise sobre o Crime Organizado, estruturado com o apoio do Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL) do Departamento de Estado dos EUA para dinamizar a troca de dados criminais entre juízes e policiais da região.
A agenda antidrogas também ganhou projeção global com a realização da 40ª Conferência Internacional de Controle de Drogas (IDEC) em Buenos Aires, coorganizada pela Argentina e pela DEA, reunindo delegações de mais de 100 países para debater ações de combate à lavagem de dinheiro e ao tráfego internacional de entorpecentes.
Com a entrada da CBP nas rotinas de capacitação, os governos dos dois países consolidam um perímetro de cooperação abrangente, articulando inteligência estratégica, cooperação jurídica e patrulhamento de campo nas fronteiras da América do Sul.
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