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Erros de comunicação e crises abalam sustentabilidade política do Planalto

Falhas estratégicas, racha na comunicação e ruídos morais expõem vulnerabilidades da gestão federal em Brasília

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, enfrenta a maior crise de sustentabilidade política e de imagem de seu terceiro mandato, decorrente de erros de comunicação política, instabilidade na coordenação do Palácio do Planalto, gafes internacionais e o desgaste associado a acenos contradição-morais. A avaliação negativa do governo federal atingiu 53,4% em outubro de 2026, de acordo com o levantamento promovido pelo instituto AtlasIntel em parceria com a Bloomberg. Analistas políticos e interlocutores do Congresso Nacional apontam que a perda de ritmo da gestão decorre da ausência de uma narrativa voltada ao futuro, do distanciamento com as bases regionais decorrente da falta de interlocução vertical e de escândalos envolvendo suspeitas de corrupção e desarticulação legislativa.

Troca de comando na comunicação do Planalto e miopia estratégica

A trajetória da comunicação governamental do atual mandato reflete hesitação estrutural e divergências internas. Desde a posse em janeiro de 2023, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República passou por reestruturações de diretrizes e trocas no topo da equipe, migrando de um modelo focado no jornalismo institucional tradicional para uma estratégia calcada no marketing de redes sociais sob orientação do marqueteiro Sidônio Palmeira.

Apesar da adoção de linguagem dinâmica em redes digitais, o Palácio do Planalto acumula episódios de falha severa na comunicação vertical. A ausência de uma coordenação coesa entre a capital federal, os ministérios e as lideranças partidárias nos estados fragilizou a capacidade de blindagem da gestão. A falta de clareza narrativa em episódios como as discussões fiscais sobre o Pix e a tributação sobre compras internacionais fez o governo ser capturado pelas redes da oposição.

"O governo peca ao tentar remediar crises de imagem com ferramentas estritamente eleitorais ou vídeos de reação tardia. Revela-se uma clara insegurança de projeto e perda de credibilidade junto ao eleitor de centro", avalia o cientista político Felipe Nunes, diretor do instituto de pesquisa Quaest.

Além da oscilação técnica, a presença ostensiva e a influência de Janja, a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, na definição de agendas do Executivo, vetos a ministros e indicações de cargos provocam rusgas constantes com caciques da base aliada. A interferência direta em assuntos de governo sem a validação do colegiado político gera queixas internas de falta de liturgia e atritos com a articulação política do Congresso.

Contradições morais, apelo ao passado e ruídos com a base

A tentativa de ampliação da base eleitoral em direção a setores evangélicos e do agronegócio resultou em acenos a pautas conservadoras que desagradaram ao eleitorado progressista histórico, sem capturar a confiança do segmento de centro-direita.

O pragmatismo das alianças regionais também expôs o Palácio do Planalto a atritos desnecessários. A aproximação estratégica com figuras polêmicas nas esferas estaduais,  marcadas no passado por declarações ostensivas de viés radical ou anti-institucional, virou munição permanente nas redes sociais de adversários politicos. Paragens e palanques compartilhados com nomes estigmatizados do Congresso por posturas agressivas e disseminação de ataques, a exemplo do deputado federal André Janones (Avante-MG) e do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), rebaixaram o patamar do discurso governista de pacificante para conflagrado.

A insistência recorrente da Presidência em ancorar conquistas e discursos no apelo nostálgico dos dois primeiros mandatos (2003-2010) escancarou a falta de um plano de longo prazo. O foco exclusivo em relançar programas de transferência de renda, desacompanhado de reformas estruturantes para o microempreendedorismo e para a redução do custo de vida da classe média urbana, solapou a aprovação do governo federal entre os eleitores de renda intermediária.

Segurança pública, política externa e judicialização no STF

A vulnerabilidade política do Palácio do Planalto ampliou-se ao longo da gestão em virtude de posicionamentos tidos como equivocados em três frentes centrais:

-  Segurança Pública e Defesa: A relutância em classificar grandes facções criminosas nacionais como organizações terroristas, somada à restrição inicial quanto ao emprego das Forças Armadas via operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), alimentou a retórica da oposição de leniência estatal frente ao avanço da criminalidade violenta nos centros urbanos.

-  Diplomacia e Alinhamentos Internacionais: O enfraquecimento da tradição de neutralidade do Itamaraty por conta de posições tolerantes frente a regimes autoritários na América Latina e no Oriente Médio, aliado a fortes críticas a nações como Estados Unidos e Israel, isolou o Brasil em fóruns multinacionais e causou rusgas no ecossistema de negócios.

-  Judicialização e Proximidade com o Judiciário: A dinâmica de recorrer ao Supremo Tribunal Federal para reverter derrotas impostas pelo Congresso Nacional gerou o desgaste do equilíbrio entre os Poderes. A excessiva proximidade pública com ministros do STF, como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e o ministro licenciado Flávio Dino, reforçou o discurso oposicionista de dependência do ativismo judicial para governar.

O acúmulo de investigações e denúncias envolvendo fraudes no sistema do INSS e suspeitas em estatais federais aumentaram a taxa de rejeição do presidente, que alcançou 49% nas pesquisas consolidadas em meados de 2026. A incapacidade de firmar uma agenda de crescimento sustentável sem atritos morais e ruídos de comunicação mantém a atual gestão sob permanente clima de contenção de danos.

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Bacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas  I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer |  Conselheiro de Segurança

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