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Bolsonaro: O legado das cinzas e a Fênix de Março

Diziam os pragmáticos da política que a história não faz curvas sem pagar pedagágio, e que o silêncio de um líder é o primeiro prefácio do seu esquecimento. Quando as trancas da prisão se fecharam sobre o Capitão, arrastando consigo centenas de acorrentados e impondo o rigor da incomunicabilidade, inclusive para com a própria carne, a praça pública comemorou em uníssono. ecoou o grito triunfante: "Vencemos o Bolsonarismo!". O fenômeno que mobilizaria mais de 56 milhões de corações, alçado por um ex-oficial do Exército que tirara do anonimato ilustres desconhecidos para reescrever o mapa do poder, parecia finalmente sepultado na poeira dos autos judicializados. Juristas sussurravam sobre cerceamentos de defesa e injustiças; os adversários, contudo, já desenhavam o inventário do espólio.

O Bolsonarismo era tido como morto. Sem a figura magnética do pai, com o "02" no exílio e a militância acuada sob a sombra da insegurança jurídica, o cenário parecia desenhado para a ascensão da moderação ou para a dispersão definitiva. Veio então a pressão fulminante para a escolha de um sucessor do centro ou de governadores tarimbados. Mas o Capitão, habituado às cartolas improváveis da política nacional, tirou de lá o seu mais lídimo herdeiro: indicou o "01", Flávio Bolsonaro.

A reação inicial foi de puro ceticismo. Aliados de primeira hora torceram o nariz, a própria sigla hesitou, e o desejo por nomes mais palatáveis, como Tarcísio de Freitas, ressoava nas coxias da capital. Soma-se a isso as intrigas caseiras, o ruído com Michelle e a pulverização desenfreada da direita, fragmentada entre os projetos regionais de Caiado, Zema e Renan, sem contar a tentativa de terceira via de Augusto Cury. O quadro era de uma oposição fraturada e fada ao fracasso.

O que a frieza dos gabinetes não previu, contudo, foi o peso da semente plantada. Numa das transferências de voto mais avassaladoras que a república já testemunhou, o rebento herdou não apenas o nome, mas o caudaloso sentimento de repulsa ao establishment. Nem a chuva de escândalos, nem o bombardeio de estigmas ou notícias contrapostas conseguiram estancar a marcha de Flávio. O motor do antipetismo e do antilulismo, pulsante e inflamado, operou como a gravidade: atraiu o centro, alinhou a centro-direita e unificou o espectro conservador contra o adversário comum.

Aqueles que previam o fim assistem agora ao realinhamento de um exército que se julgava disperso. A divisão que impediu um desfecho liquidationário no primeiro turno dissolve-se agora na busca por um reencontro com a história.

Mais do que um mero embate eleitoral, o que se projeta no horizonte de um país cansado das suas próprias feridas é o desejo de restauração. A esperança de pacificação nacional, do resgate do devido processo legal e da normalidade institucional, do prestígio externo e, acima de tudo, da guerra intransigente ao crime, à corrupção e à irresponsabilidade com o dinheiro do povo. O Capitão pode estar em silêncio, mas o eco do seu movimento mostra que, na política brasileira, a vida nem sempre obedece ao roteiro de quem escreve a sentença.

A multiplicação dos colossos e a chama indomável

Se a intenção do estamento era sufocar um movimento trancando suas lideranças mais ruidosas, as urnas responderam com a mais implacável das ironias: a política brasileira assistiu não ao sepultamento, mas à multiplicação do clã. O que era um homem transformou-se em uma legião bancada pela vontade popular. Em uma demonstração acachapante de força eleitoral, o sobrenome que tentaram apagar do imaginário coletivo voltou consagrado pelas mãos de milhões de cidadãos que encheram os boletins de urna.

A vitória da família estendeu-se de norte a sul. Michelle Bolsonaro foi consagrada com expressiva votação para o Senado Federal pelo Distrito Federal. Em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro trocou a vereança do Rio para conquistar, com votação maiúscula, uma cadeira no Senado, ao lado de Jair Renan Bolsonaro, eleito para a Câmara dos Deputados. Em São Paulo, Renato Bolsonaro, irmão do Capitão, garantiu também o seu mandato na Câmara Federal. Enquanto isso, na cabeça da chapa nacional, Flávio Bolsonaro não apenas avançou como o mais votado para o segundo turno da Presidência, como superou em marcas históricas votações anteriores.

O resultado das urnas mandou uma mensagem cristalina ao sistema: não adianta perseguir, isolar ou tentar calar uma ideia. Compreendeu-se, afinal, que o Bolsonarismo nunca foi apenas a figura de um indivíduo, mas um sentimento visceral resgatado no âmago da sociedade. Um grito represado contra a ditadura do politicamente correto, contra o pragmatismo das morais de ocasião e contra os tentáculos do marxismo cultural que por décadas aparelharam o Estado brasileiro. É a repulsa histórica às páginas escuras dos grandes escândalos de corrupção e às sombras da criminalidade impune que custaram milhares de vidas inocentes.

O eleitorado cansou-se do populismo seletivo, daquele que enxerga o cidadão apenas como estatística a serviço de um projeto de poder eterno. Essa força não nasceu em gabinetes nem foi urdida por militâncias pagas ou sindicatos ideológicos. Ela sempre esteve pulsando no chão da vida real: na "tiazinha", no "tiozinho", no trabalhador comum que lotou aeroportos, tomou as avenidas em motociatas e cobriu os mapas do país com o verde e amarelo, rejeitando bandeiras e dogmas que não pertencem à nossa terra.

A política institucional, surpresa, agora tenta acompanhar o movimento do povo soberano. O realinhamento das forças de centro e direita em torno de uma pauta comum demonstra que o país não aceita mais o jugo da hegemonia ideológica. Resta agora ao Brasil aguardar o desfecho do dia 25 de outubro, o momento em que as urnas selarão se a voz das ruas se tornará o destino da nação em 2027, abrindo caminho para a pacificação, a ordem e o respeito definitivo à vontade popular.

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Bacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas  I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer |  Conselheiro de Segurança

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