Reportagem traz gravações atribuídas ao ex-dono do Banco Master que citam pagamento 'por fora' de R$ 30 milhões para documentário e tratativas para acessar fundos de pensão federais
Uma reportagem publicada pela revista Veja nesta sexta-feira revelou áudios e anexos de uma proposta de delação premiada em que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, relata o pagamento de cerca de R$ 30 milhões em recursos não declarados para financiar o documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dirigido pelo cineasta Oliver Stone.
No áudio divulgado, Vorcaro compara o apoio ao filme do petista com outros projetos audiovisuais e declara: "O do Lula eu coloquei acho que até mais [...]. Só que o do Lula foi por fora, foi errado".
Detalhes das conversas e a atuação de intermediários
Segundo o material jornalístico da Veja, a proposta de colaboração na qual Vorcaro detalha os repasses foi entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR) em junho.
Em troca dos repasses e de uma taxa citada de 10% sobre operações, o grupo buscava credenciar o Banco Master na "lista exaustiva" do Ministério da Previdência Social, mecanismo necessário para captar recursos de regimes de previdência de servidores municipais e estaduais. Trocas de mensagens entre o operador Júlio César Gomes Pinto e Vorcaro mostram comemorações quando o banco obteve a habilitação formal em abril de 2024, além de menções a um jantar em Brasília com o ministro Alexandre Padilha e o ex-secretário Olavo Noleto.
Contradição técnica: Polícia Federal não encontrou provas no celular
Apesar das declarações do ex-banqueiro no áudio, checagens e relatórios da Polícia Federal indicam que não foram localizados comprovantes, registros de transferências ou mensagens no celular de Vorcaro que confirmem a efetivação dos pagamentos de R$ 30 milhões para o filme ou para o Instituto Lula.
A única referência ao documentário de Oliver Stone encontrada na perícia do aparelho do empresário foi uma troca de mensagens com o advogado Walfrido Warde, ocorrida na véspera do segundo turno de 2022. Na ocasião, Warde enviou fotos de uma entrevista concedida à produção e escreveu: "Falei tudo. Em ingres [sic]. Filme do Oliver Stone", ao que Vorcaro respondeu "Toppp" — diálogo sem qualquer menção a valores ou contratos.
Devido à ausência de provas autônomas que sustentassem os relatos orais de Vorcaro, a PGR rejeitou a proposta de delação premiada entregue pelo empresário.
Contraponto da Investigação sobre as Declarações de Vorcaro:
[Relato de Vorcaro em Áudio] ---> Alega R$ 30 milhões "por fora" para filme e Instituto Lula
[Análise Telemática da PF] ---> Nenhum comprovante ou registro financeiro no celular
[Decisão da PGR em Junho] ---> Rejeição do acordo de delação por falta de provas
Reações e posicionamento dos citados
A assessoria do presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiou veementemente as acusações e declarou que o chefe do Executivo jamais solicitou, recebeu ou autorizou qualquer repasse de recursos vindo de Daniel Vorcaro ou do Banco Master. O Instituto Lula e Paulo Okamotto também negaram o recebimento de valores informais.
O ministro Alexandre Padilha, o ex-secretário Olavo Noleto e João Vaccari Neto negaram qualquer intermediação ilícita ou concessão de vantagens indevidas à instituição financeira. A defesa de Vorcaro informou que desconhecia os documentos vazados relativos à negociação de delação.
Acesse meus artigosBacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer | Conselheiro de Segurança
Bacharel em Jornalismo I Pós-graduando em Ciências Políticas I Habilitado em Comunicação Estrtégica I Publisher & Especialista de Operações Digitais| Editor Gráfico | Gerente de Projetos | Operador de Comunicações | Produtor Cultural e de Eventos | Fotógrafo | Design Gráfico | Web Designer | Conselheiro de Segurança
